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A escuta e a intercessão-pesquisa na clínica da urgência de uma unidade de pronto-socorro

Processo: 15/00972-8
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de junho de 2015
Vigência (Término): 30 de setembro de 2016
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia - Tratamento e Prevenção Psicológica
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:Abílio da Costa Rosa
Beneficiário:Maico Fernando Costa
Instituição-sede: Faculdade de Ciências e Letras (FCL-ASSIS). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Assis. Assis , SP, Brasil
Assunto(s):Psicanálise   Saúde pública   Serviços médicos de emergência   Pessoal de saúde   Relações médico-paciente   Estresse psicológico   Clínica médica

Resumo

Definimos nossa ação de produção de conhecimento a partir de um dispositivo de atenção ao sofrimento psíquico que procura juntar ação e reflexão em um mesmo ato. Além disso, o dispositivo intercessor funda-se na consideração da existência de dois planos do saber necessário: o momento das práxis imediatas, no qual a produção do saber se dá junto com indivíduos que vêm à instituição de saúde, e a partir deles (o trabalhador procura operar como intercessor); e o saber no momento da reflexão posterior sobre ela, de características propriamente epistemológicas, produzido pelo trabalhador-intercessor. Daí falarmos em intercessão-pesquisa. A fala é necessária aos sujeitos num lugar onde o corpo ainda é somente visto como um conjunto de órgãos. Destacamos a importância do trabalhador-intercessor na unidade de urgência e emergência de um Pronto-Socorro (PS), para efetivação da proposta de outro tipo de atendimento aos casos que ali chegam. O intuito é que as interrogações do trabalhador-intercessor sobre seu posicionamento na ação, e num segundo momento, que as eventuais transformações ocorridas durante o tempo da intercessão-pesquisa possam ser refletidas, de modo a produzir um saber (segundo) diferente daquele já existente na práxis do dia-a-dia. Esse saber segundo constitui os efeitos do trabalho de pesquisa e pode ser útil à formação de outros trabalhadores-intercessores na saúde, no PS enquanto estabelecimento institucional hospitalar. O trabalho da intercessão propriamente dita consiste na escuta ofertada no momento da crise, almejando ir para além da doença no que se refere à queixa imediata dos sujeitos. O cerne da escuta na clínica da urgência traz em sua ética a abertura para a possibilidade da produção de um sentido novo (ponto-de-estofo), um sentido que permita ao sujeito do sofrimento (aquele que está, por hipótese, incluído naquilo sofre) situar-se frente à situação angustiosa. No âmbito hospitalar a clínica da urgência é definida como uma resposta imediata a ser dada ante o acontecimento que motivou a irrupção de um sujeito na Instituição, como: situações de tentativa de suicídio; acidentes diversos; problemas cardiovasculares; respiratórios; inanição, etc. Nessa modalidade do trabalho de recepção-escuta que define clínica da urgência, trata-se de uma ação totalmente apoiada na linguagem tal como concebida pela psicanálise, e considerada por ela a mais eficaz para o manejo complexo do tempo e do sentido na dissipação da angústia atroz (gozo). Definimos, portanto, o Dispositivo Intercessor como uma perspectiva metodológica, teórico-técnica e ético-política, de trabalho junto aos sujeitos em sofrimento psíquico, e, ao mesmo tempo como uma variante na produção de um conhecimento derivado de uma práxis. (AU)