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Edição e estudo da autobiografia de Antônio Dias Quaresma (1681-1756): o baiano que sonhou ser papa.

Processo: 15/07296-8
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 15 de agosto de 2015
Vigência (Término): 14 de fevereiro de 2016
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História Moderna e Contemporânea
Pesquisador responsável:Maria Leda Oliveira Alves da Silva
Beneficiário:Maria Leda Oliveira Alves da Silva
Anfitrião: Jose Esteves Pereira
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : Universidade Nova de Lisboa, Portugal  
Assunto(s):História das ideias

Resumo

O objetivo central da pesquisa circunscreve-se em redor da edição e estudo da Autobiografia de Antônio Dias Quaresma (1681-1756), o baiano de setecentos que sonhou ser Papa. Trata-se de uma proposta de investigação cujo objetivo reside na realização da edição crítica do manuscrito autógrafo, escrito entre os anos de 1738 e 1744, data do termo da mencionada Autobiografia, e hoje salvaguardado no Arquivo Secreto do Vaticano, na Itália. De maneira mais concreta, a proposta é realizar os estudos necessários para se fixar o testemunho manuscrito, a fim de conceder-lhe o aparato heurístico requerido pela crítica histórica. Tal aparato possui como finalidade tentar estabelecer as relações e fundamentar, ou não, os fatos relatados por Antônio Dias Quaresma, não só aqueles referentes à sua vida pessoal, mas igualmente os dados sobre as instituições religiosas e leigas com as quais mantivera ligações, e que aparecem na sua autobiografia, assim como identificar os autores e as obras que o influenciaram, com o intuito de compreender a sua formação e o seu universo mental. Sabe-se, segundo algumas reminiscências encontradas no próprio testemunho manuscrito da Autobiografia, que o baiano fora incentivado por seu então geral, o Fr. Pietro Maria Peri, a dedicar-se à escrita de suas memórias. A ausência de estudos sobre o percurso de Dias Quaresma e sobre a sua particular entrada na Ordem dos Servos de Maria na Itália, em 1733 e aos 52 anos, sendo ele um autoditada, não permite elucidar ainda os motivos que levaram o geral a incentivá-lo a redigir a sua história de vida. Possivelmente, o Fr. Pietro M. Peri objetivava alçar o baiano como um modelo de vida a ser seguido entre os seus confrades e entre os leigos, maneira de enaltecer os feitos da Ordem e de fazê-la entrar na contabilidade das instituições religiosas presentes no Novo Mundo. Esse detalhe, em particular e por si só, indica a especificidade da trajetória de Dias Quaresma e justificaria, de antemão, a importância de fazê-lo ingressar no universo da historiografia brasileira. No entanto, a isto liga-se um dado ainda mais audacioso e arquitetado pelas mãos do soterapolitano, cuja linha sinuosa costurou a sua própria vestimenta traçada na Autobiografia: a insistente ideia de ter sido ele escolhido por Deus para ser o Novo Papa da Cristandade. E a predestinação não fora por mero descuido da visão divina, mas por ser ele natural da Bahia e por esta ser a progenitora da geografia que abrigava a cadeira de S. Pedro, como o próprio salienta. Trata-se de um manuscrito inédito e um gênero raro de se encontrar na produção literária da história do Brasil Colonial, saído das mãos de um homem com pouco ou quase nenhum estudo formal, apreciador de livros ascéticos e místicos, mas não só, leitor compulsivo e que fizera uma trajetória de vida digna de nota, entre o Brasil, Itália e Portugal. História até então completamente desconhecida na historiografia brasileira, com riquíssimas informações sobre o universo mental ao qual este homem estivera envolvido nos séculos XVII e XVIII, e a partir do qual criara a sua própria cosmogonia, assim como tentara construir saídas para consertar os desmantelos que identificava no mundo, a exemplo do seu sonho de vir a ser o novo papa da cristandade. E é isso, de resto, que se pretende realizar no presente projeto de pesquisa.