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A psicanálise para Foucault: ontologia ou hermenêutica?

Processo: 14/26406-6
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de agosto de 2015
Vigência (Término): 30 de abril de 2016
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:Carlos Alberto Ribeiro de Moura
Beneficiário:Carolina de Souza Noto
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Hermenêutica   Filosofia contemporânea   Psicanálise   Ontologia (filosofia)   Michel Foucault

Resumo

A pesquisa tem como objetivo compreender o estatuto que Foucault confere à psicanálise. Essa não é uma questão fácil, já que o filósofo, ao longo de toda sua trajetória, tece muitos comentários divergentes sobre esse saber. Não só entre uma fase e outra de seu percurso filosófico Foucault apresenta diferentes teses sobre a teoria e a prática psicanalítica, mas no interior de um mesmo livro encontramos formulações ambíguas sobre o assunto. Tendo como pano de fundo os diversos comentários dissonantes do autor sobre a psicanálise, trata-se de pensar de que modo os escritos da década de 70, em particular, se relacionam com a crítica foucaultiana das ciências humanas sistematizada em 66, em As palavras e as coisas. Visto que neste livro o filósofo condena certo tipo de reflexão que procura conferir um estatuto ontológico à finitude humana (ou seja, fazer ontologia do ser constitutivamente alienado do homem), faz-se necessário investigar se a crítica que Foucault endereça à psicanálise depois de 66 se dá nos mesmos termos que a crítica feita às analíticas da finitude. Trata-se, então, de entender se a acusação de que a psicanálise não passa de mais um "dispositivo de sexualidade" a serviço do biopoder está fundada na ideia de que a psicanálise supõe uma ontologia. A ideia da psicanálise como ontologia, contudo, é uma tese recusada por Foucault em alguns escritos da década de 50 e 60. Neste período, o filósofo defende que a psicanálise é antes de tudo um método hermenêutico e não uma teoria geral sobre o homem. Assim, se é verdade que as teses genealógicas finais de Foucault sobre a psicanálise fundamentam-se na visão da psicanálise como ontologia, deparamo-nos com um problema: afinal, a psicanálise, para Foucault, consiste ou não numa teoria sobre o ser do homem? Para responder a essa pergunta, seguiremos uma sugestão dada por Derrida, mas encontrada também em Foucault, segundo a qual é possível que no interior na própria obra de Freud encontremos uma resposta a essa pergunta. Por um lado, haveria, de fato, em Freud, textos com um cunho mais ontológico, mas por outro, também, escritos que insistem na centralidade da interpretação e da compreensão do processo de produção de sentido. Por fim, se for possível fazer uma distinção entre uma psicanálise ontológica e uma psicanálise hermenêutica, a última pergunta a que procuraremos responder é: do ponto de vista hermenêutico, a noção de interpretação histórica adotada por Foucault, mesmo em seus últimos escritos, não é próxima daquela da psicanálise freudiana? (AU)