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As palavras funcionais na chamada fala telegráfica em enunciados de sujeitos afásicos

Processo: 15/07238-8
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de julho de 2015
Vigência (Término): 30 de junho de 2017
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Teoria e Análise Lingüística
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:Rosana Do Carmo Novaes Pinto
Beneficiário:Arnaldo Rodrigues de Lima
Instituição-sede: Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Afasia   Neurolinguística   Léxico   Fala   Palavra

Resumo

Uma das razões para a Linguística se debruçar sobre as alterações de linguagem nas patologias é que os dados advindos desse campo ajudam tanto a corroborar quanto a refutar hipóteses sobre o seu funcionamento em estados considerados normais. Jakobson (1981 [1954]), primeiro linguista a buscar compreender a linguagem nas afasias, afirmou que toda descrição e classificação das perturbações afásicas devem começar pela questão de saber quais aspectos da linguagem estão prejudicados em cada uma de suas formas. Dentre os tipos de afasia mais estudados no campo dos estudos neuropsicológicos e neurolinguísticos está o agramatismo - seja entendido como sintoma ou como síndrome -, caracterizado mais especificamente pela presença da fala telegráfica, que é o objeto central de análise nesta pesquisa. Na literatura neuropsicológica, o agramatismo e a fala telegráfica estão associados à afasia de Broca (ou afasia de expressão). Como o próprio nome diz, acredita-se que o funcionamento gramatical esteja impactado de forma relevante nessa afasia. Os estudos dessa categoria enfatizam as perdas na linguagem verbal, principalmente relativas às categorias funcionais ou classes gramaticais fechadas: preposições, artigos, conjunções, bem como à morfologia flexional e derivacional. As classes abertas estariam relativamente preservadas: substantivos, adjetivos, alguns advérbios e a forma infinitiva dos verbos. Para Jakobson, o agramatismo se configura como um protótipo das afasias que envolvem dificuldades de combinação dos elementos linguísticos na estruturação de um enunciado - o distúrbio da contiguidade. Entretanto, podemos questionar se a dificuldade mais relevante não seria justamente com a seleção dos morfemas flexionais e derivacionais, bem como de morfemas livres (preposições, artigos, conjunções) e, portanto, relacionadas ao eixo paradigmático. O próprio Jakobson nos chama a atenção para o caráter dinâmico da produção linguística e ressalta a inter-relação entre os eixos nas operações de seleção e de combinação. A esse respeito, Coudry esclarece que "a afasia afeta tanto um nível quanto sua relação com os demais, no funcionamento discursivo da linguagem. Há sempre repercussão do nível afetado em relação ao todo da linguagem" (Coudry 2002, p. 111). O estudo que propomos realizar, orientado pelas abordagens histórico culturais (sobretudo fundamentado nos postulados de Luria), visa, principalmente, a descrição e a análise de enunciados de estilo telegráfico. O trabalho será desenvolvido no Grupo III do Centro de Convivência de Afásicos, com três sujeitos afásicos (TR, ZD e BS) que participam das sessões coletivas e individuais e que apresentam enunciados predominantemente não-fluentes e de estilo telegráfico. Os episódios interativos entre sujeitos afásicos e não-afásicos são vídeo-filmados e registrados em diário. As transcrições seguem as orientações do projeto NURC (Norma Urbano Culto) e as análises são guiadas pelo paradigma microgenético (Vygotsky, 1984). Além da observação dos episódios em seus contextos naturais, outros dados serão obtidos por meio do uso de expedientes de caráter metalinguístico, que serão formulados especialmente para a pesquisa. Nos interessa, também, compreender as estratégias alternativas desses sujeitos nos processos de significação - isto é, como lidam com a estruturação dos enunciados, face às dificuldades com a produção das palavras funcionais. Avaliaremos, ainda, em que medida pode haver um paralelismo entre os processos de produção e de compreensão desses elementos, como defende Kolk (1985). Acreditamos que a pesquisa, que se insere no campo da Neurolinguística de orientação enunciativo-discursiva, possa contribuir para um estudo mais abrangente sobre as dificuldades de encontrar palavras, desenvolvido no GELEP (Grupo de Estudo da Linguagem no envelhecimento e nas patologias), intitulado: O funcionamento semântico-lexical: inferências a partir do estudo das afasias. (AU)

Publicações acadêmicas
(Referências obtidas automaticamente das Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado de São Paulo)
LIMA, Arnaldo Rodrigues de. As palavras funcionais na chamada fala telegráfica em enunciados de sujeitos afásicos. 2017. Dissertação de Mestrado.

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