Busca avançada
Ano de início
Entree

Religião, memória e sociedade: uma abordagem etnográfica da feitiçaria e da formação de um clero local angolano

Processo: 15/02021-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de setembro de 2015
Vigência (Término): 31 de agosto de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia - Teoria Antropológica
Pesquisador responsável:Melvina Afra Mendes de Araújo
Beneficiário:Madalina Elena Florescu
Instituição-sede: Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Etnografia   Angola

Resumo

O tema deste projeto é a relação entre o discurso sobre a feitiçaria e a constituição de uma elite local nas missões católicas em Angola. Este tema vai ser analisado através de um estudo de caso da formação de um clero local no seminário menor dos padres da Congregação do Espirito Santo, que foi estabelecido em Malange em 1927. Entre os seus primeiros seminaristas havia filhos de catequistas, mas também crianças que nos seus relatos os missionários descrevem como "abandonadas", uma prática que ambos os missionários e os administradores coloniais explicavam em termos de "crenças em feitiços", "feiticismo", ou "feitiçaria". A hipótese subjacente ao projeto é que estes termos pertencem a um repertório da mediação inter-cultural em Angola que permite traçar a formação da sociedade contemporânea ao período do comércio Atlântico e contextualizar o encontro missionário numa perspetiva da longa duração. Apoiando-se num quadro teórico que articula a teoria da mediação cultural proposta por Paula Montero com a fenomenologia do mundo social de Alfred Schütz, o projeto tenciona realizar uma análise da trajetória de um clero local angolano numa perspectiva da longa história do espaço da mediação inter-cultural entre missionários, administradores coloniais, e sociedade local. O enfoque é o modo em que o sacerdócio católico de padres angolanos tem sido elaborado como um "código de mediação" na ótica de uma sociologia da motivação. Isto significa considerar o modo em que vários atores têm racionalizado os seus motivos como explicações das suas ações assim como aqueles motivos que fazem parte do significado das suas ações mas que não são racionalizados como discurso e que não são necessariamente acessíveis a reflexão dos atores, ou inteligíveis a um observador externo. (AU)