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Modernismo e vodu: relações entre etnografia, arte e literatura em Cuba e no Brasil

Processo: 15/03207-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de outubro de 2015
Vigência (Término): 31 de agosto de 2016
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Línguas Estrangeiras Modernas
Pesquisador responsável:Jorge Schwartz
Beneficiário:Rodrigo Lopes de Barros Oliveira
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Etnografia   Cinema   Literatura

Resumo

Este projeto é um estudo comparativo que analisa as relações entre etnografia, arte e literatura em Cuba e no Brasil. Em Cuba, concentrar-se-á na produção intelectual de Fernando Ortiz e dois filmes de Tomás Gutiérrez Alea Memorias del subdesarrollo (1968) e Una pelea cubana contra los demonios (1971) no que diz respeito aos temas afro-cubanos, com o objetivo de delinear a passagem de uma abordagem vinculada ao "racismo científico" lombrosiano presente no primeiro livro de Ortiz (Los negros brujos, 1906) às práticas artísticas das vanguardas. Ortiz inicia sua carreira vinculado à "antropologia criminal", da qual ele se distância rumo à "antropologia cultural", culminando na publicação de seu último livro em vida, de viés histórico-literário, Historia de una pelea cubana contra los demonios (1959), usado como base para o filme de Alea de 1971. A comparação com o Brasil, será feita através da análise das leituras que o próprio Ortiz fez de psiquiatras e antropólogos brasileiros; contrapõe-se essas leituras à abordagem do psiquiatra e crítico modernista Osório César - figura importante dentro da vanguarda brasileira, sendo ele próprio leitor de Ortiz. Osório César funciona como um distanciamento do "racismo científico" ao equiparar o "fetiche" (trabalho escultural) negro às obras dos pintores vanguardistas na primeira metade do século XX. Como se fez com o binômio cubano Ortiz-Alea, veremos como a ideia de "misticismo", vista por César tanto nas vanguardas como na produção artística de afro-brasileiros, é abordado posteriormente no cinema brasileiro, em particular no filme Barravento (1961) de Glauber Rocha, com seus conceitos de "dialética da macumba" e "estética da fome", muito próximos ao de "cinema imperfeito" adotado pela geração de seu contemporâneo Gutiérrez Alea. Buscar-se-á, assim, traçar um mapa intelectual no que tange os temas afro-cubanos e afro-brasileiros nas quatro figuras supracitadas. (AU)