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A resposta de Aristóteles: relação entre linguagem e realidade no Livro da Metafísica

Processo: 15/21405-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de dezembro de 2015
Vigência (Término): 30 de novembro de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Pesquisador responsável:Marisa da Silva Lopes
Beneficiário:Rafael José da Silva
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Assunto(s):Filosofia antiga   Metafísica   Ontologia (filosofia)   Lógica (filosofia)   Linguagem   Aristóteles

Resumo

Esta pesquisa tem por objetivo analisar a relação entre linguagem e realidade na filosofia de Aristóteles, tendo como problema central a fundamentação do discurso a partir da teoria da significação e do estabelecimento do princípio de não-contradição, que o Estagirita apresenta no Livro “ da Metafísica. A questão que move tais teses é a da possibilidade do discurso declarativo, isto é, a possibilidade da enunciação, que é colocada em disputa com a noção de identidade entre ser e pensar, instituída por Parmênides e marcada principalmente pela recepção sofística da filosofia eleática. A problemática levantada pela escola sofista destitui o discurso de sua susceptibilidade essencial à verdade ou à falsidade, na medida em que concebe a linguagem como um instrumento de persuasão, um instrumento que versa sobre aparências intentando apenas convencer o interlocutor daquilo que é dito, uma vez que o discurso, em obediência ao princípio eleático da identidade, comportaria a contradição e seria incapaz de apontar para um âmbito impessoal, isto é, para o ser mesmo das coisas. Acompanhando essa discussão, apresentada por Platão no diálogo O Sofista, cuja seção central investiga a possibilidade do enunciado falso e a relação que o discurso deve manter com aquilo que por ele é descrito, Aristóteles propõe uma teoria sobre os fundamentos da linguagem e da lógica. No Livro da Metafísica, Aristóteles expõe dois alicerces que fundamentam a possibilidade do discurso dizer o ser e de sua aptidão à verdade ou à falsidade: a teoria da significação da linguagem e o princípio de não-contradição. Em sua tentativa de responder às questões colocadas pelos sofistas e de enfrentar os problemas da identidade e do enunciado falso, o Estagirita redefiniu a relação entre lógos e ón ao assinalar um certo distanciamento entre linguagem e ser, uma tese que concebe o ser como permeável ao discurso e estabelece as ligações entre ambos. A solução aristotélica está em defender a vinculação da mera possibilidade da significação ao princípio de não-contradição. Assim, analisaremos o vínculo entre a teoria da significação e o princípio de não-contradição e quais as condições impostas para que um ato enunciativo qualquer possa ser definido como um discurso significativo capaz de se reportar ao mundo, explicitando a relação entre o princípio lógico e o seu fundamento ontológico; em suma, de que modo a estrutura do discurso está em adequação com a estrutura do real. (AU)