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Perfil clínico e epidemiológico do paciente com neurite óptica atípica

Processo: 15/18940-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2016
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2016
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Clínica Médica
Pesquisador responsável:Frederico Castelo Moura
Beneficiário:Natália Naomi Suzuki
Instituição-sede: Hospital de Clínicas (HC). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Esclerose múltipla   Neuromielite óptica   Neurite óptica   Epidemiologia   Doenças do nervo óptico

Resumo

Diversas condições podem acometer o nervo óptico e entre elas as mais comuns são as neuropatias ópticas inflamatórias. A neurite óptica é a principal doença do grupo das neuropatias ópticas inflamatórias devido à sua relação com a esclerose múltipla (EM). Quando a neurite óptica apresenta as características clínicas mais comum de acordo com o estudo ONTT ("optic neuritis treatment trial") é classificada como neurite óptica clássica ou típica (NOT). Os perfis clínico e epidemiológico da neurite óptica (NO) típica são baseados no estudo ONTT. As características epidemiológicas típicas são sexo feminino, idade entre 20-50 anos e raça branca. As características clínicas típicas são perda visual central associado à dor ocular que piora com a movimentação. A maioria dos pacientes se apresenta entre 20/25 e 20/800. As alterações do nervo óptico na neurite óptica são comumente focais e localizadas no segmento intraorbitário. A principal alteração do LCR no paciente com neurite óptica é a presença de bandas oligoclonais que confirma a natureza desmielinizante da neuropatia óptica, embora não seja específica para EM. A maioria dos pacientes no ONTT não apresentaram alterações significantes na celularidade e nos níveis de proteínas. A história natural da neurite óptica no ONTT comprova que a recuperação da visão inicia em 3-4 semanas em 80% dos pacientes e continua melhorando em até 1 ano onde 95% dos pacientes apresentam visão igual ou melhor do que 20/40. Todo paciente com suspeita inicial de neurite óptica que apresente uma ou mais características clínicas que diferem da maioria dos pacientes do estudo ONTT (incluindo idade do paciente, grau de perda visual, bilateralidade, recuperação visual e taxa de recorrência) devem ter a investigação voltada para os diagnósticos diferenciais. Em especial, um grupo de neuropatias ópticas inflamatórias deve ser investigado devido se apresentar com perda visual e dor ocular, embora apresentem outras características clínicas incomuns para neurite óptica. Este grupo pode ser denominado neurite óptica atípica (NOA) e inclui a neuromielite óptica, neurite óptica recorrente, a neuropatia óptica autoimune e CRION (chronic relapsing inflammatory optic neuropathy). A neuromielitie óptica (NMO) é uma doença desmielinizante, inflamatória e imunomediada do sistema nervoso central que se manifesta por mielite e neurite óptica. A perda visual da NMO costuma ser grave, associada a dor periocular e com menor chance de recuperação visual do que a neurite óptica associada a EM. Após a descoberta do anticorpo anti-aquaporina 4, formas limitadas da NMO foram descritas incluindo neurite óptica isolada. Neurite óptica recorrente é uma das condições classificadas como NOA. A ocorrência de neurite óptica recorrente não é um evento raro podendo ocorrer em 5% dos casos de neurite óptica típica. Classicamente, a recorrência da neurite óptica levanta a suspeita de NMO, embora possa estar associado a EM. A neuropatia óptica autoimune isolada (ou primária) é uma doença rara que se caracteriza por neurite óptica associada a auto-anticorpos (fator antinúcleo e anticardiolipina) e resposta exuberante à corticoterapia associada a posterior corticodependência. Não há doença sistêmica associada. A neuropatia óptica inflamatória crônica recorrente (CRION, do inglês chronic relapising inflammatory optic neuropathy) é uma forma de neurite óptica com característica atípicas como dor ocular intensa e prolongada, perda visual recorrente e associada à corticodependência. Apesar da incidência da neurite óptica atípica ser bem menor do que a da típica, o maior risco que a atípica representa para a função visual, e as vezes para o status neurológico, justifica o presente estudo envolvendo as neurites ópticas atípicas e a determinação do seu perfil clínico e epidemiológico. (AU)