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Gramaticalização do verbo "deixar" no português brasileiro: uma abordagem constructional

Processo: 15/21622-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de abril de 2016
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2017
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Teoria e Análise Lingüística
Pesquisador responsável:Edson Rosa Francisco de Souza
Beneficiário:José Roberto Prezotto Júnior
Instituição-sede: Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de São José do Rio Preto. São José do Rio Preto , SP, Brasil
Assunto(s):Português do Brasil   Funcionalismo   Gramaticalização

Resumo

Os estudos sobre verbos realizados nos últimos anos, sob a perspectiva funcional da linguagem (HEINE, 1993; CASSEB-GALVÃO, 2001; GONÇALVES, 2003; TRAVAGLIA, 2003; MACIEL, 2005; SALOMÃO, 2008; CHISHMAN e ABREU, 2014; COELHO, 2014) mostram, diferentemente das gramáticas tradicionais, que focam mais os aspectos formais, que uma descrição mais acurada dos itens verbais deve(ria) levar também em consideração as suas propriedades semânticas, pragmático-discursivas e cognitivas. Em termos gerais, o que esses autores mostram em seus respectivos estudos é que as formas verbais (verbos plenos) podem assumir, ao longo do tempo, outras (novas) funções mais gramaticais na língua, tais como as de verbo-suporte, verbo auxiliar (com valor aspectual), modalizador, operador evidencial e marcador discursivo, dentre outras, fenômeno é conhecido na literatura linguística como Gramaticalização (GR), que consiste, em termos tradicionais, em um processo de mudança linguística de caráter unidirecional, em que itens lexicais podem se gramaticalizar e assumir funções gramaticais na língua, ou, se já gramaticais, podem exercer funções ainda mais gramaticais (TRAUGOTT, 2003), como é o caso, por exemplo, de muitas preposições, que são definidas como gramaticais pelas Gramáticas Tradicionais, mas que podem se gramaticalizar ainda mais, funcionando como conjunções diversas (mais abstratizadas).Uma das grandes contribuições trazidas por essas pesquisas, dentre muitas outras, consiste no reconhecimento de que a classe verbal é extremamente heterogênea e complexa, suscetível a constantes mudanças, e que por essa razão somente uma descrição que leve em consideração a língua em seu contexto de uso, pressionada pelas necessidades comunicativas de seus falantes, é que será capaz de apresentar uma sistematização sólida e consistente dos itens verbais no Português brasileiro, mais especificamente do verbo deixar, objeto de estudo desta pesquisa, que por exercer várias funções na língua, passa a integrar construções de diferentes graus de complexidade.Assim, em vista do exposto, interessa-nos, no âmbito da presente pesquisa, analisar, com base nos pressupostos teóricos da Gramaticalização (TRAUGOTT, 1982; HEINE et alii, 1991; HOPPER e TRAUGOTT, 1993; TRAUGOTT, 2003), mais especificamente da Gramática de Construções (CROFT, 2001; GOLDEBERG, 1995; TRAUGOTT, 2008), e do Funcionalismo (GIVÓN, 1979; DIK, 1997; NEVES, 1997, 2000, 2006; HENGEVELD e MACKENZIE, 2008), a multifuncionalidade e o processo de GR do verbo deixar no Português brasileiro, a partir de uma perspectiva diacrônica e sincrônica, levando-se em consideração as suas propriedades sintáticas, semânticas, pragmático-discursivas e cognitivas. Em outros termos, o objetivo é analisar o processo de GR do verbo deixar, com vistas a identificar as possíveis motivações funcionais para o uso dessa forma verbal em diferentes contextos de uso do Português brasileiro, inclusive como complexos construcionais que adquirem significados específicos.Para tanto, utilizamos como material de investigação o Corpus do Português, organizado por Davis e Ferreira (2006), composto por mais de 45 milhões de palavras. Esse corpus contempla amostras de textos falados e escritos e possibilita a busca de dados por (i) variedade do Português (Europeu ou Brasileiro), (ii) período histórico do Português (do século 14 ao século 20), (iii) tipo de registro/gênero (oral, ficção, jornalístico e acadêmico), além de possibilitar aferir a frequência de uso.