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O terceiro nível: regiões como modelo para a ação estatal na sociedade internacional

Processo: 16/07997-9
Modalidade de apoio:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de setembro de 2016
Vigência (Término): 30 de junho de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Ciência Política - Política Internacional
Pesquisador responsável:Janina Onuki
Beneficiário:Vinícius Guilherme Rodrigues Vieira
Supervisor: Christina L. Davis
Instituição Sede: Instituto de Relações Internacionais (IRI). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa: Princeton University, Estados Unidos  
Vinculado à bolsa:14/26455-7 - Regimes internacionais e os níveis doméstico, regional e global: uma análise multidimensional nos campos do mercado e da sociedade, BP.PD
Assunto(s):Política econômica internacional   Relações internacionais   Regionalismo   Organização Mundial do Comércio (OMC)   Índia   Brasil
Palavra(s)-Chave do Pesquisador:Brasil | India | Negociações Comerciais | Organização Mundial do Comércio (OMC) | Regionalismo | Teoria das Relações Internacionais | Economia Política Internacional

Resumo

De acordo com várias tradições teóricas em Relações Internacionais (RI), regiões do mundo são cruciais para elaborar explicações a respeito de interações entre Estados soberanos. No entanto, em geral a disciplina ignora a hipótese plausível de que dinâmicas de poder regional possam estar na origem do comportamento de Estados no plano global. Em vez disso, a pesquisa em RI tende a empregar apenas um modelo binário de análise, considerando apenas dois níveis (doméstico e internacional). À luz dessas limitações, proponho que se deve considerar a existência de um terceiro nível-uma arena de poder regional, a qual, embora seja geralmente ignorada em teorias de RI e Análise de Política Externa, acaba por moldar a ação de tomadores de decisão e atores não-estatais no plano doméstico a respeito de seus interesses internacionais. Portanto, argumento que o nível regional tem precedência sobre a dinâmica de poder nos níveis doméstico e global-composto por Estados localizados fora do complexo regional de poder. Com base em debates derivados de teoria social e a escola construtivista de RI, argumento que tais níveis de análise podem ser definidos como campos-ou seja, arenas de poder. Assim, o modelo analítico que procuro desenvolver para incluir o "terceiro nível" tem como base a teoria de campos e será elaborado com base numa comparação entre Brasil e Índia e seus respectivos ambientes regionais (América do Sul e Sul da Ásia, respectivamente). A hipótese inicial é que as experiências de integração regional moldam as percepções de grupos de interesse domésticos em relação ao comércio global. No caso de Brasil e Índia, isso levou seus respectivos negociadores a adotarem estratégias divergentes em política externa comercial. Nos anos 1990, após a formação do Mercado Comum do Sul (MERCOSUR), a agricultura brasileira adquiriu maior competitividade, enquanto a indústria acostumou-se a uma liberalização restrita aos vizinhos, principalmente a Argentina. A Índia, por sua vez, formou parcerias relativamente incipientes naquela década com seus vizinhos, por meio da Associação do Sul da Ásia para a Cooperação Regional (SAARC). Assim, agricultores continuaram com demandas protecionistas, enquanto as manufaturas, expostas à competição extrarregional-sobretudo do Leste Asiático-, tiveram de se adaptar à liberalização. Consequentemente, nas negociações multilaterais da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) nos anos 2000, a diplomacia brasileira defendeu a liberalização de mercados agrícolas, enquanto negociadores indianos mantiveram-se predominantemente protecionistas. (AU)

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