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Claude Lefort e o enigma democrático: forças e limites de uma invenção política moderna

Processo: 15/24050-2
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de agosto de 2016
Vigência (Término): 29 de fevereiro de 2020
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - Ética
Pesquisador responsável:Marilena de Souza Chauí
Beneficiário:Martha Gabrielly Coletto Costa
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):18/05004-8 - Tensões entre democracia e capitalismo na perspectiva de Claude Lefort, BE.EP.DR
Assunto(s):Conflitos políticos   Filosofia política   Marxismo   Liberalismo   Democracia   Poder político

Resumo

O núcleo desta pesquisa consiste em investigar o lugar da reflexão sobre a democracia no pensamento de Claude Lefort e sua contribuição para o debate político-filosófico do século XX. Com isso em vista, propomos reconstituir os meandros da trajetória intelectual lefortiana com o intuito de mostrar a gênese de sua reflexão sobre o regime democrático, as diferentes caracterizações que lhe fornece e as contraposições históricas e teóricas que o filósofo põe em cena a fim de captar as singularidades da democracia moderna frente às formações sociais do Antigo Regime, de um lado, e aos regimes totalitários do século XX, de outro. Nesse sentido, buscaremos construir um diálogo com alguns autores políticos clássicos, como Maquiavel, Tocqueville e Marx, para mostrar os desenvolvimentos da concepção lefortiana sobre a democracia enquanto regime instaurado por uma revolução sem precedentes contra os pilares de uma ordem política baseada na imagem do corpo e na fundamentação do poder a partir de princípios transcendentes. Regime que se institui pela desincorporação do poder e do social, a democracia se singulariza como regime aberto à história, indeterminado e sem telos, que acolhe a divisão e o conflito, num movimento incessante de interrogação, instituição e criação de novos direitos. Agindo como fio condutor de nossa pesquisa, podemos finalmente enunciar as interrogações em que culmina a presente investigação: o lugar ocupado pela concepção democrática de Lefort significa uma alternativa à polarização do debate sobre a democracia, que opõe, na cena teórica do século XX, marxistas e liberais? Conseguiria Lefort, ao se afastar do marxismo para reabrir uma reflexão sobre a democracia, distanciar-se também dos princípios e consequências de uma concepção democrática liberal, que reduz a democracia a um corpo de instituições e preceitos do Estado de direito ou a um conjunto de procedimentos regulares? (AU)

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