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Relações Navais Anglo-Brasileiras, 1922-1977

Processo: 15/23690-8
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Doutorado
Vigência (Início): 15 de agosto de 2016
Vigência (Término): 31 de janeiro de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Ciência Política
Pesquisador responsável:João Roberto Martins Filho
Beneficiário:Ludolf Waldmann Júnior
Supervisor no Exterior: Anthony Wynne Pereira
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Local de pesquisa : King's College London, Inglaterra  
Vinculado à bolsa:13/22061-1 - Forças Armadas, tecnologia e política: a evolução tecnológica das marinhas do Brasil e Argentina no século XX, BP.DR

Resumo

Brasil e Inglaterra têm tradicionais relações navais. Pouco após a Proclamação de Independência do Brasil, o país contratou oficiais britânicos para comandarem os navios da recém-criada Marinha do Brasil, além de auxiliarem a organização dessa força. A partir de meados daquele século, as mudanças na construção naval, alimentadas pelo progresso científico e tecnológico, deu aos países industrializados monopólio na fabricação de navios de guerra modernos. Com isso, países como o Brasil passaram a depender da importação de embarcações para ter uma frota moderna. A partir desse momento, o país começou a comprar vasos de guerra na Grã-Bretanha, iniciando um padrão que existiria por várias décadas. Na primeira década do século XX, o Brasil adquiriu, em estaleiros britânicos, uma frota completa, incluindo encouraçados dreadnought, porém, ao final da Grande Guerra, viu não apenas suas dificuldades em operar os novos navios, mas também sua esquadra ficar completamente obsoleta diante dos progressos tecnológicos ocorridos durante o conflito. Em 1922, o Brasil recebeu a Missão Naval Americana, que acabou influenciando a Marinha durante as décadas seguintes e tornou os Estados Unidos a referência central para a força naval brasileira. Se num primeiro momento, britânicos e norte-americanos disputaram a influência e as encomendas para a Marinha Brasileira, a experiência da Segunda Guerra Mundial garantiu uma supremacia norte-americana sobre os assuntos navais brasileiros nas décadas seguintes. Durante este conflito, a Marinha foi completamente modernizada com apoio norte-americano, que passaram a influenciar o material usado, estratégia, treinamento e organização da força naval brasileira. Diante deste novo contexto, os britânicos mudaram sua estratégia em relação à Marinha Brasileira, passando a explorar possíveis brechas na padronização e subordinação dela aos Estados Unidos. A partir da década de 1950, com o surgimento de uma insatisfação brasileira quanto ao fornecimento de navios usados bem como pelo fato de serem tratados de modo igual às demais repúblicas americanas pelos Estados Unidos, os britânicos tentaram vender navios modernos à Marinha. Nesta década, os britânicos tiveram sucesso com a venda de um porta-aviões e na seguinte, fragatas e submarinos. A chegada das fragatas da classe Niterói, adquiridas na Inglaterra, teve profundas consequências na Marinha Brasileira, significando um importante salto tecnológico bem como o afastamento perante os Estados Unidos. Considerando o exposto, podemos afirmar que as relações navais anglo-brasileiras foram importantes para a trajetória da Marinha Brasileira. Se num primeiro momento a marinha britânica era modelo e o país principal fornecedor de navios de guerra ao Brasil, a venda de embarcações britânicas no final da década de 1960 teve importantes consequências para a Marinha, uma vez que a permitiu dar um significativo salto tecnológico bem como afastar sua dependência em termos materiais, estratégicos e organizacionais dos Estados Unidos. Nosso objetivo geral é entender essas relações navais anglo-brasileiras no contexto de domínio norte-americano, entre 1922 - ano de chegada da Missão Naval Americana - e 1977, quando o presidente-general Geisel denuncia o Acordo Militar com os Estados Unidos e encerra a missão naval no Brasil. Para isso, buscamos 1) entender as propostas de vendas de navios britânicos ao Brasil, com ênfase nas vendas efetivadas; 2) analisar essas propostas e vendas dentro das perspectivas de política externa de ambos países; e 3) compreender essas vendas dentro do contexto estratégico da Marinha. Para isso, lançamos mão da teoria do realismo neoclássico e do conceito de oportunismo tecnológico, para entender as relações entre política externa e vendas de armamentos.