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Posicionamento filogenético do gênero agathistoma (Mollusca: Gastropoda: tegulidae) e filogeografia das espécies brasileiras: padrões de diversidade genética e morfológica

Processo: 16/13503-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de outubro de 2016
Situação:Interrompido
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Zoologia - Taxonomia dos Grupos Recentes
Pesquisador responsável:Tito Monteiro da Cruz Lotufo
Beneficiário:Ana Paula Siqueira Dornellas
Instituição-sede: Instituto Oceanográfico (IO). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):18/25116-5 - Explorando a filogeografia e resolvendo a filogenia de agathistoma (Gastropoda: turbinidae) através de rad-sequencing: genética de população de nova geração, BE.EP.PD
Assunto(s):Biogeografia marinha   Evolução animal   Moluscos

Resumo

A distribuição da biota marinha da América do Sul foi afetada por grandes transgressões do Atlântico, que comprometeram o fluxo das correntes, modificando salinidade, temperatura, produtividade primária e, portanto, a capacidade de dispersão e de sobrevivência dos organismos sob novas condições ambientais. Dessa forma, houve também um impacto considerável nas suas distribuições e estruturas genéticas. Um dos resultados dessas transgressões é conhecida como distribuição antitropical, definida pelas espécies que apresentam uma lacuna em sua distribuição na região equatorial. Este padrão é bem representado por pares de espécies do Atlântico ocidental distribuídos a noroeste e sudoeste da pluma combinada dos rios Amazonas e Orinoco. Atualmente, a ocorrência destes pares de espécies é subestimada, pois são classificados como subespécies ou ainda são colocados sob o mesmo nome específico, apesar de estarem separados por uma grande lacuna latitudinal intertropical. O gênero Agathistoma inclui 23 espécies viventes, com indivíduos relativamente pequenos em tamanho, que ocorrem nas águas tropicais e subtropicais do Pacífico oriental, Mar do Caribe e sul do Atlântico Ocidental. Dentre as espécies de Agathistoma, três ocorrem no Brasil: A. viridulum, A. hotessierianum e A. patagonicum. As espécies A. viridulum e A. hotessierianum apresentam uma distribuição antitropical. Já A. patagonicum apresenta uma distribuição biogeográfica mais restrita, em contrapartida observa-se um alto grau de variação morfológica, quando comparado a outras espécies do gênero. Não obstante, não há conhecimento sobre possíveis barreiras biogeográficas atuando no fluxo gênico dessas populações, nem mesmo nas delimitações das espécies. A revisão mais recente do gênero, que incluiu uma análise filogenética baseada em dados morfológicos, encontrou evidência para a monofilia do gênero Agathistoma. Essa análise considerou a decomposição das espécies acima referida em terminais que contemplam o polimorfismo intraespecífico observado em diversas populações, indicou a parafilia de A. hotessierianum. Entretanto, devido à ausência de caracteres diagnósticos bem definidos, padrões de distribuição incomuns e variação intraespecífica acentuada, ainda há dúvidas sobre a identificação de algumas das linhagens dessas espécies. A distribuição das espécies as credenciam como fonte valiosa para o entendimento dos processos históricos de diversificação do Atlântico ocidental, uma vez que é possível buscar nos dados moleculares a história desse complexo de espécies, marcada por disjunções, dispersões e extinções locais, testando para o grupo hipóteses biogeográficas prévias dessa biota. Com a biogeografia de moluscos é possível estudar esses processos em áreas de pequenas e grandes extensões, analisando a diversificação da fauna do Atlântico e do Pacífico Tropical e da América do Sul Temperada em maior detalhamento. Em suma, esta proposta visa obter uma hipótese filogenética para as linhagens de Agathistoma utilizando dados moleculares e morfológicos e analisar as variações genéticas de A. viridulum, A. hotessierianum e A. patagonicum, visando delimitar suas linhagens evolutivas e seus padrões biogeográficos. Os resultados serão discutidos frente às diferentes hipóteses de diversificação resultantes das transgressões marinhas no Atlântico (AU)