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A violência passional do racismo. configurações modal e tensiva. estudos semióticos

Processo: 16/02981-7
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 02 de setembro de 2016
Vigência (Término): 01 de março de 2017
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Teoria e Análise Lingüística
Pesquisador responsável:Iara Rosa Farias
Beneficiário:Iara Rosa Farias
Anfitrião: Francesco Marsciani
Instituição-sede: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Guarulhos. Guarulhos , SP, Brasil
Local de pesquisa : Università di Bologna, Itália  
Assunto(s):Racismo   Paixão   Semiótica

Resumo

No ano de 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a Década Internacional de Afrodescendentes (resolução 68/237). Tal ato marca a busca contínua pelo resgate da história dos afrodescendentes, e ainda dos povos africanos, como também a de reconhecer o trabalho de ambos na construção da história mundial. No Brasil, no mesmo ano, uma das ações promovidas pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), foi o lançamento de um edital para financiar projetos a fim de consolidar o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, no combate ao racismo e promover a lei 10639/2003. Tais ações de estado estabeleceram-se porque racismo e preconceito racial ainda são práticas discriminatórias correntes. Procurando contribuir com a discussão do tema, em perspectiva discursiva, buscaremos tomar práticas discriminatórias dentro de uma rede de sentidos que estabelecem relações intersubjetivas na nossa sociedade. Desse ponto de vista, tomaremos o preconceito, a discriminação e o racismo como paixões a serem analisadas e descritas. O interesse pelas paixões não é recente, a Filosofia demanda como elas constituem sentimentos e reações humanas. Aristóteles, em A Retórica das paixões, toma as paixões como algo que ao causar mudança nos sujeitos resulta em julgamento e que, mesmo depois dele, continuam a provocar estados de alma. Interessante notar que, no trabalho do filósofo, as paixões estejam ligadas ao corpo-linguagem, pois estavam vinculadas aos aspectos da arte da oratória. Desta ótica, a paixão tem raízes no dizer, ou seja, na palavra que afeta mais ou menos intensamente a interação dos sujeitos. Na década de 80 do século passado até os dias atuais, a Semiótica francesa vem desenvolvendo o estudo das paixões no âmbito discursivo, ou seja, nos domínios da linguagem. Vemos, então, a preocupação por tratá-las como paixões lexicalizadas. O estudo do Desespero (Fontanille, 1980) é um dos marcos que inicia a análise das paixões na teoria francesa a partir do ponto de vista apontado. Daí em diante, pesquisadores da Semiótica vem buscando apresentar os trajetos e a composição de algumas paixões, tratando de suas configurações lexicais, das modalidades, das aspectualizações e da tensividade implicadas que constituem sujeitos apaixonados presentes em diferentes textos. Para a teoria, entender os textos de uma sociedade é entender a própria sociedade e seus valores, enquanto ideias, opiniões, moral e ética que a fundamentam. É por meio da perspectiva do estudo das paixões da teoria francesa, que queremos tratar os termos preconceito, discriminação e racismo como estados de alma apontando sua estrutura presente nos textos que circulam em nossa sociedade. A noção de paixão auxiliará a explicar e a explicitar como tais conceitos podem apresentar uma micronarratividade que, por sua vez, modela as interpretações e relações intersubjetivas. Noutros termos, a proposta deste projeto é constituir um estudo que tratará o racismo, e os outros termos elencados, como paixão, buscando desvelar sua estrutura lexical e modal, num primeiro momento. Em seguida, observaremos também os pontos de convergência e divergência estrutural entre os termos. Depois, trataremos das suas modulações tensivas, segundo os estudos de Zilberberg (1994, 2006, 2012). Por fim, abordaremos o racismo, e suas configurações, observando como pode ser figurativizado em textos apresentados nas mídias sociais e/ou textos de caráter sincrético. Acreditamos que tal estudo possa contribuir para o desenvolvimento da teoria das paixões na Semiótica francesa e também para formação de profissionais que trabalham na desconstrução de práticas discursivas discriminatórias.