Busca avançada
Ano de início
Entree

Experiências de mobilização comunitária nas Américas: investigando desorganização social e eficácia coletiva por meio de dados do Barômetro das Américas

Processo: 16/15899-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de outubro de 2016
Vigência (Término): 30 de julho de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Pesquisador responsável:Marta Teresa da Silva Arretche
Beneficiário:Valeria Cristina de Oliveira
Instituição-sede: Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:13/07616-7 - CEM - Centro de Estudos da Metrópole, AP.CEPID
Assunto(s):Organização social   Mobilização política

Resumo

Este projeto de estágio pós-doutoral objetiva a realização de uma análise empírica, baseada nas abordagens da Desorganização Social e Eficácia Coletiva, tendo como contraponto empírico dados quantitativos internacionais. A proposta é lançar mão dos resultados de survey de percepção individual sobre questões relacionadas à participação política, vitimização e mobilização social para discutir em que medida há diferenças internacionais em relação à expectativa de intervenção sobre problemas públicos locais. Inspirada em trabalhos fundamentais da Escola de Chicago no início do século XX, a teoria da Desorganização Social sustenta que aspectos de natureza estrutural das interações comunitárias interferem na capacidade de autorregulação e, por consequência, contribuem para o controle dos índices de criminalidade, violência e atos desviantes cometidos na região. A preocupação desse modelo inicial e, por conseguinte, das releituras que ele ganhou nos anos seguintes, foi investigar o fenômeno da concentração do crime e da delinquência em poucas regiões das grandes cidades. A chave, segundo eles, se encontraria no fato de que essas áreas reúnem elementos que desarticulamos vínculos sociais e o controle social em tais comunidades, tornando-as mais expostas à atuação de possíveis criminosos externos e, também, ao desenvolvimento de um comportamento desviante entre os próprios moradores. A teoria da Eficácia Coletiva, elaborada por Robert Sampson, surge nesse contexto como a mais bem-sucedida releitura da abordagem da Desorganização Social. Seu diferencial é a mensuração dos conceitos de coesão social e controle social informal, destacando o papel da expectativa de intervenção comunitária no desenvolvimento da Eficácia de um grupo. Esses novos ares também levaram a discussão a outras regiões do mundo, tornando a eficácia coletiva uma categoria importante na produção acadêmica dentro e fora dos Estados Unidos da América.As abordagens da Desorganização Social e, especificamente, da Eficácia Coletiva, têm se mostrado razoavelmente consistentes quando aplicadas à investigação de fenômenos como a criminalidade e a vitimização em áreas urbanas norte americanas. O desafio tem sido avaliar em que medida a proposta teórica e as estratégias metodológicas adotadas para justificar a pertinência da teoria de Desorganização Social nos Estados Unidos da América também são aplicáveis a países como os da América Latina. O exercício consiste em verificar sob que circunstâncias a densidade do tecido social é transformada em mais disposição para a intervenção coletiva sobre as condutas locais e, por consequência, em mais qualidade de vida em países marcados por desigualdade econômica, desconfiança em relação às instituições públicas e carência de acesso a serviços. Em comum, as pesquisas brasileiras e de outros países latino-americanos corroboraram os problemas em associar elementos como a coesão e a expectativa de controle social informal à redução de crimes, que estão ligados à maior dependência do poder público motivando ou se ocupando diretamente da intervenção. Assim, a dificuldade em se construir Eficácia Coletiva ou controle social informal na América Latina - mesmo em ambientes de grande coesão-parece ser consequência da ausência de um Estado de Direito consolidado, o que se reflete na falta de legitimidade de suas instituições públicas de controle social e, assim, na disposição para agir diante de problemas coletivos. (AU)