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Na pista da correta observância da lei: um estudo comparativo e diacrônico das raízes hebraicas d.r.a, d.r.kh e h.l.kh nos Manuscritos de Qumran, na Bíblia hebraica e na literatura rabínica

Processo: 16/26177-2
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de fevereiro de 2017
Vigência (Término): 31 de janeiro de 2018
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras
Pesquisador responsável:Clarisse Ferreira da Silva
Beneficiário:Rebeca Mendes da Fonseca da Silva
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:13/50339-4 - História e literatura judaicas do período do Segundo Templo: comentários interdisciplinares sobre os manuscritos de Qumran, AP.JP
Assunto(s):Manuscritos   Língua hebraica   Judaísmo

Resumo

Os manuscritos descobertos na região de Qumran, próxima ao Mar Morto, reúnem textos bíblicos, apócrifos, pseudepígrafos, bem como documentos singulares, que foram produzidos por uma seita judaica que provavelmente existiu entre o séc. II a.C. e o séc. I d.C.. Esses documentos caracterizam-se pela radicalidade de sua visão de mundo, a qual dividia a humanidade entre os "filhos da luz" e os "filhos das trevas". Ao mesmo tempo, a identidade da seita era definida pela sua exegese particular e rigorosa da lei mosaica. Era pré-requisito para a pertença compartilhar da crença que a sociedade judaica era leniente na sua interpretação e no seu seguimento dos ensinamentos divinos através das Sagradas Escrituras. O mundo sectário, por sua vez, cria uma linguagem peculiar e reconhecível, em toda a sua profundidade e abrangência, somente pelos seus. Por outro lado, o hebraico bíblico era, claramente, o padrão a ser seguido, sendo imitado com certo sucesso. Ao mesmo tempo, é transparente que os autores sectários e seus escribas foram influenciados pelo hebraico de sua própria época e que se desenvolveria ainda por mais alguns poucos séculos até ser transcrito na primeira compilação rabínica: a Mishná. O presente projeto de Iniciação Científica tem como objetivo trabalhar com três raízes hebraicas que podem ser correlacionadas por sua conexão direta com a exegese e o seguimento corretos da Lei: "d.r.a" (=indagar, buscar, examinar), "d.r.kh" (=pisar) e "h.l.kh" (=ir, andar, seguir). A perspectiva da pesquisa será diacrônica, comparando seus valores semânticos nos textos bíblicos, nos manuscritos sectários de Qumran e na literatura rabínica antiga, mais especificamente, a Mishná. Vemos a raiz "d.r.a", p. ex., aparecer como um substantivo central na linguagem rabínica, ou seja, por meio da palavra "midrash". Esse termo está presente nos textos bíblicos e qumrânicos, mas teria, originalmente, o mesmo significado e importância que ganharia mais tarde entre os rabinos? Não é o que nos parece, embora o verbo "lidroa" fosse evidentemente bastante caro aos sectários de Qumran, que o utilizavam ao tratar do meio de inquirir pela vontade divina estipulada na Lei. Já "derekh" (=caminho) pode ter sido imbuído pelos qumranitas de um sentido próximo àquele que seria mais tarde conferido a "halakhah" pelos rabinos. Contudo, apenas uma pesquisa minuciosa de cada um dos contextos - rabínico e qumrânico - e do significado profundo dos dois termos permitirá que se verifiquem suas diferenças e semelhanças semânticas. De qualquer modo, mesmo que Qumran desconhecesse ou rejeitasse o termo "halakhah", fazia parte do vocabulário comum da seita o uso do verbo "lehithalekh" (=andar) em conexão estreita com a Lei. (AU)

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