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Corpos dissidentes: experiências de pessoas transexuais da infância à vida adulta

Processo: 16/16895-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de fevereiro de 2017
Vigência (Término): 31 de julho de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia - Tratamento e Prevenção Psicológica
Pesquisador responsável:Manoel Antônio dos Santos
Beneficiário:Raul Gomes de Almeida
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto , SP, Brasil
Assunto(s):Teoria queer   Pessoas transgênero   Consciência corporal   Imagem corporal

Resumo

Nos últimos anos tem aumentado o interesse científico pela ampliação do conhecimento sobre a transexualidade para domínios que vão além do discurso biomédico, que por décadas se manteve hegemônico. A perspectiva biomédica tem recebido críticas contundentes da parte de estudiosos de diferentes disciplinas das ciências humanas, pela insistência no caráter patologizante da condição transexual e pela convicção de que a pessoa trans é movida por um desejo incoercível de buscar a adequação de gênero, que supostamente só se completaria pela realização da cirurgia de redesignação sexual. Para a pessoa transexual, a consciência de ter um corpo sexuado e a experiência de ter um pênis ou vagina e não conseguir se performar de acordo com o gênero concebido socialmente, configuram descobertas que repercutirão ao longo de toda a vida. De tal maneira que, querer reduzir a diversidade de construções possíveis da identidade de gênero a uma questão médica pode ser considerado, no mínimo, um retrocesso em relação ao conhecimento já produzido. Considerando esses pressupostos, este estudo se propõe a dar voz às próprias pessoas trans para que elas narrem suas histórias de vida e falem por si mesmas. Nesse sentido, esta pesquisa pretende contribuir como contraponto crítico à ideia patologizante imposta pelo discurso biomédico para enquadrar e catalogar tais indivíduos em um manual de categorias psicopatológicas. Além disso, são raros os estudos que abordam a relação da pessoa transexual com seu corpo, e mais escassos ainda os que investigam essa questão na perspectiva das mulheres e homens transexuais nas diversas etapas do ciclo vital. Partindo desses pressupostos, tem-se como objetivo geral investigar as percepções que homens e mulheres transexuais têm de seus corpos, focalizando a relação estabelecida da infância à vida adulta. Como objetivos específicos têm-se: (a) investigar a compreensão que as pessoas transexuais têm dos seus corpos, concomitantemente ao processo transexualizador; (b) analisar as convergências e divergências na apropriação subjetiva da corporalidade e do processo transexualizador em homens e mulheres transexuais; (c) investigar as semelhanças e diferenças da percepção do corpo antes e depois de iniciar o processo transexualizador. Trata-se de um estudo qualitativo, transversal, descritivo-exploratório. O referencial teórico a ser adotado é a teoria Queer, que proporciona uma possibilidade de leitura original sobre a condição transexual, principalmente ao contestar a matriz heterossexual que postula a binaridade do sexo e do gênero, além da a suposta concordância entre anatomia, gênero, desejos e práticas sexuais. Os participantes serão um transexual masculino e uma feminina. Os dados serão coletados por meio de um formulário de dados sociodemográficos, diário de campo e roteiro de entrevista semiestruturada com questões relativas à trajetória de vida e à vivência dos processos de transformação corporal. As entrevistas serão realizadas individualmente, em situação face a face, ao longo de, no máximo, quatro encontros, conforme a necessidade, e audiogravadas mediante autorização dos(as) participantes. Após a coleta de dados, o conteúdo registrado será transcrito literalmente e na íntegra. Posteriormente, os dados serão submetidos a um processo de análise de conteúdo temática que ocorre em três etapas: (a) pré-análise, organização preliminar do material que constitui o corpus de análise; (b) descrição analítica, categorização dos dados pela similaridade de conteúdo, gerando categorias temáticas; (c) interpretação referencial, tratamento de dados e interpretações dos significados dos conteúdos temáticos, de acordo com o referencial teórico adotado. O desenvolvimento deste estudo está amparado na Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Este projeto será submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sede. (AU)