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Autonomia e historiografia na América Latina: arquitetura, ensino e o fazer histórico na Escuelita de Buenos Aires, 1976/1983

Processo: 16/22985-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de março de 2017
Vigência (Término): 30 de junho de 2020
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:José Tavares Correia de Lira
Beneficiário:Jonas Delecave de Amorim
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):18/09282-2 - Buenos Aires e a disciplina da arquitetura: uma rede internacional em história e teoria, de 1976 a 1983, BE.EP.DR
Assunto(s):Historiografia   Autonomia   História da arquitetura

Resumo

A presente pesquisa de doutorado busca explorar a experiência de ensino de arquitetura conhecida como La Escuelita, desenvolvida entre 1976 e 1983 na cidade de Buenos Aires, Argentina. Por um lado, esta experiência surgiu como reação às transformações políticas e acadêmicas locais e, por outro, às profundas crises disciplinares que a arquitetura atravessava internacionalmente, nos anos 1960 e 1970. Na Argentina, o período em que a Escuelita se desenvolve corresponde à última ditadura civil-militar, antecedida por um curto período democrático. Esse contexto de grandes embates, e seus desdobramentos no meio universitário, contribuiu para uma definição do campo disciplinar da arquitetura dissolvido na militância política - a qual a Escuelita representou uma reação. Internacionalmente, foram fundamentais para experiência portenha: o reconhecimento dos limites de um funcionalismo estrito, a incorporação mais ampla da história no projeto arquitetônico e a ascensão de outros paradigmas historiográficos.Na presente pesquisa, reconhecemos duas questões centrais desenvolvidas na Escuelita. A primeira foi a busca pela ancoragem da arquitetura em sua própria disciplina, excluindo questões políticas -e mesmo funcionais- para retomar seus supostos fundamentos, como o desenho, a tipologia arquitetônica e morfologia urbana. Essa busca foi desenvolvida, na Escuelita, pelos arquitetos e docentes Antonio Díaz, Justo Solsona, Rafael Viñoly e Ernesto Katzenstein, que estabeleceram relações intensas com a obra do italiano Aldo Rossi e com o Institute for Architecture and Urban Studies de Nova Iorque. O trabalho desses arquitetos pode ser condensado, neste contexto, no conceito de autonomia da arquitetura.A segunda questão central diz respeito a uma inflexão na historiografia da arquitetura, levada a cabo por jovens historiadores ao redor do argentino Jorge Francisco Liernur. Esses personagens incorporaram distintas abordagens historiográficas e da sociologia da cultura, como as de Michel Foucault, Carlo Ginzburg e Raymond Williams. No entanto, podemos reconhecer o protagonismo da obra do italiano Manfredo Tafuri, de quem Liernur fora aluno, e a intensa interlocução que estabeleceram com os intelectuais da revista Punto de Vista, principalmente sua diretora, Beatriz Sarlo. Assim, e descomprometidos da prática projetual, os historiadores da Escuelita puderam incorporar distintas manifestações culturais, políticas e econômicas na narrativa histórica da arquitetura. Como temas centrais, desenvolveram as noções de modernidade na América Latina, particularmente em Buenos Aires. Nessas duas questões, a Escuelita assume uma expressiva singularidade, ao estabelecer um diálogo contemporâneo com dois dos mais importantes polos propulsores da cultura arquitetônica do período -Nova Iorque e Veneza-, incorporando e transformando seus conceitos fundamentais. No entanto, ao focar suas investigações na América Latina - algo negligenciado pelos círculos europeus e norte-americanos - a Escuelita desenvolveu pesquisas originais não previstas nestes polos, com desdobramentos temáticos e metodológicos abrangentes. De fato, muitas das questões presente na experiência portenha, como a crise disciplinar e os dilemas do fazer histórico, eram compartilhados em outros cenários latino-americanos, ainda que de modos distintos. A presente pesquisa pretende explorar esses temas na intenção de esclarecer o lugar da Escuelita na cultura arquitetônica latino-americana, estabelecendo um vínculo mais forte entre a história da arquitetura e a história de seu ensino.

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