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Tchékhov e o tempo redescoberto

Processo: 17/04380-3
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Doutorado
Vigência (Início): 05 de janeiro de 2018
Vigência (Término): 04 de julho de 2018
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Línguas Estrangeiras Modernas
Pesquisador responsável:Bruno Barretto Gomide
Beneficiário:Rodrigo Alves Do Nascimento
Supervisor no Exterior: Galin Tihanov
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa: Queen Mary University of London, Inglaterra  
Vinculado à bolsa:14/21718-0 - Tchekhov e o tempo redescoberto, BP.DR
Assunto(s):Dramaturgia   Literatura russa

Resumo

Este projeto tem por objetivo pleitear uma bolsa de pesquisa no exterior no Queen Mary - Universidade de Londres, de setembro de 2017 a julho de 2018, sob a orientação de Galin Tihanov, um dos principais eslavistas da atualidade e referência nos estudos bakhtinianos. O objetivo é definir um quadro teórico consistente em torno do problema do tempo e do modo como ele estrutura a dramaturgia de Anton Pavlovitch Tchékhov (1860-1904). Parte-se de uma constatação inicial de que Tchékhov adotava a forma do drama tradicional, o qual dependia de conflitos apresentados no presente, com ação dramática e diálogos claros. No entanto, suas personagens sempre fogem deste mesmo presente e apenas o suportam. Bakhtin colocaria tais transformações dentro do processo de romantização da forma dramática a que estavam submetidos boa parte dos dramas de fins do XIX, já que o romance estaria mais aberto às temporalidades do sonho, da história e da subjetividade em crise. Assim, a mudança na relação ao tempo (sendo ele princípio primeiro do cronotopo bakhtiniano) expressaria também uma nova concepção de homem e da sociedade. Jean-Pierre Sarrazac veria o impulso que engendra tal mudança formal como uma crise da própria experiência doméstica de fins de XIX, pois o lar gradualmente deixava de ser integral e formativo e assumia caráter cada vez mais problemático. O microcosmo, aqui, se tornaria a conflagração em pequena escala do macrocosmo social e do espírito de tempo. A hipótese é de que este deslocamento e distanciamento das personagens em relação ao seu presente, e, por extensão, ao presente do drama, é o que agencia os mecanismos de atualização da própria obra no tempo, tornando as peças de Tchékhov potentes leitoras da contemporaneidade. Para consolidar tal hipótese, faremos o estudo cerrado de duas peças - A Gaivota e As Três Irmãs - e confrontaremos tal problemática com as soluções dadas a elas no palco por diferentes encenações. (AU)