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Arqueologia de uma disciplina: sobre a primeira cadeira de história das Belas Artes, estética e arqueologia das Américas (1855-1870)

Processo: 17/03741-2
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de julho de 2017
Vigência (Término): 27 de março de 2021
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Artes Plásticas
Pesquisador responsável:Luciano Migliaccio
Beneficiário:Fabio D'Almeida Lima Maciel
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):18/01351-5 - A primeira cadeira de história das belas artes, estética e arqueologia das Américas e suas transferências culturais com a Europa, BE.EP.PD
Assunto(s):História da arqueologia   História da arte   Estética (arte)

Resumo

Propõe-se nesta pesquisa a transcrição, organização e estudo dos manuscritos inéditos e textos relativos à primeira cadeira de História da Arte, Estética e Arqueologia inaugurada nas Américas, e notadamente em uma instituição brasileira, no século XIX. Criada em 1855, na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, essa cadeira foi, no entanto, inaugurada em 1870 pelo pintor e filósofo Pedro Américo de Figueiredo e Mello (1840-1905). O material principal inclui aproximadamente 65 páginas completas (além de algumas avariadas) compondo a aula inaugural e as lições subsequentes do curso, e se soma a dois outros textos de apoio que lhes serviram de base de preparação - estes frutos de formações científicas no bacharelado e no doutorado realizadas por Américo nos anos 1860, na Europa. Com o intuito programático de fazer convergir as novas investigações da arqueologia e da história a uma base filosófica, na qual a estética (ou então também compreendida como "ciência do belo") permaneceria como domínio de inflexão, a criação dessa cadeira esteve alinhada à inauguração de disciplinas similares em importantes academias européias, em especial a cadeira de estética e história da arte da École des Beaux-Arts de Paris, criada em 1864 e sintomaticamente frequentada por Américo enquanto aluno daquela instituição, no mesmo momento. Ambos os cursos, oficialmente decretados, buscaram ensinar aos estudantes as chamadas "leis do belo", presumindo a importância do ensino teórico para a atividade artística e industrial.Neste projeto pretende-se não apenas investigar as lições inteiramente desconhecidas da cadeira brasileira em uma perspectiva transnacional, mas fornecer os primeiros subsídios para que também se compreenda a ainda inexplorada passagem do modelo de discursos livres, que permaneceu na Academia até os anos 1860, à institucionalização de um programa de ensino artístico no Brasil; e, por fim, desta última estrutura educacional ao aparecimento considerável dos primeiros grandes textos históricos e críticos sobre arte no país, publicados por personalidades que então não somente não mantiveram relações formais com a AIBA e com o poder vigente, como se posicionaram muitas vezes contra a estética oficial então difundida no seio daquela instituição. (AU)