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Simultaneidade e duração: tempo e história em Merleau-Ponty

Processo: 17/02876-1
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de julho de 2017
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:Marcus Sacrini Ayres Ferraz
Beneficiário:Rafael Zambonelli Nogueira
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Temporalidade (filosofia)   Ontologia (filosofia)   Maurice Merleau-Ponty

Resumo

A presente pesquisa tem por finalidade investigar as relações entre tempo e história na última filosofia de Merleau-Ponty. Partindo dos textos e cursos da primeira metade dos anos 1950, acreditamos encontrar aí uma primeira tematização explícita por parte do fenomenólogo do problema de pensar, por um lado, o estatuto filosófico de uma história universal e, por outro lado, uma temporalidade que seja propriamente histórica. Tal tematização ocorre, de acordo com nossa hipótese de trabalho, quando Merleau-Ponty passa a empreender uma progressiva "dessubjetivação" do tempo e a questionar algumas dificuldades ontológicas em que sua filosofia se enredara. O aspecto central dessa mudança de perspectiva, parece-nos, consiste no debate multifacetado que nosso autor trava com o relativismo nesse período, na medida em que o que está em jogo nesse debate é a possibilidade de repensar a ideia de universalidade sem, contudo, torná-la exterior à singularidade. É nesse contexto que começa a formular-se uma nova concepção da história e de sua temporalidade, culminando na minuciosa elaboração da noção de instituição. A partir daí, encontramos o primeiro desdobramento dessa noção na interrogação merleau-pontiana sobre a dialética, pois uma compreensão apurada da ideia de mediação tornará possível pensar relações internas entre universalidade e singularidade, assim como um movimento histórico e temporal de totalização. Ao mesmo tempo, tal interrogação nos leva diretamente ao projeto de refundação do discurso ontológico empreendido por Merleau-Ponty em suas últimas obras, terreno em que os problemas do tempo e da história, considerados pelo fio condutor do problema do relativismo, poderão receber um tratamento filosófico adequado - pois aqui o próprio Ser passa a ser pensado em sua temporalidade e historicidade, enquanto movimento de autodiferenciação. (AU)