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Entre tempos da cidade: conflitos espaço-temporais e processos de absorção

Processo: 17/10218-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de setembro de 2017
Vigência (Término): 31 de maio de 2021
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:Manoel Antonio Lopes Rodrigues Alves
Beneficiário:Maíra Cristo Daitx
Instituição-sede: Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos (IAU). Universidade de São Paulo (USP). São Carlos , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):19/19790-8 - ESPAÇOS "MEANWHILE" Forças de produção e ocupação temporárias no espaço urbano metropolitano de Sevilha, Lyon e Berlim, BE.EP.DR
Assunto(s):Espaço urbano   Espaço-tempo

Resumo

Como as formas de apreensão espaço-temporal contemporâneas têm moldado nossas cidades? A evolução e consolidação das TICs e das redes de transporte afetaram os fluxos globais, tornando-os cada vez mais acelerados e as experiências espaço-temporais mais instantâneas; o capitalismo, flexível no tempo e no espaço, expandiu seu poder de dominação através de alianças políticas, configurando territorialidades a-geográficas. Diante desses fenômenos, o sujeito contemporâneo adaptou seus comportamentos e formas de se relacionar com o urbano, aumentando o grau de volatilidade e descartabilidade de seus vínculos (espaciais, profissionais e pessoais) - algo valorizado pelo pensamento neoliberal - e consolidando-os como um estilo de vida. A dificuldade de estabelecerem-se projeções futuras (controle do tempo) reforçou a busca por experiências e prazeres momentâneos (imediatos, do tempo presente), o que estaria causando uma expansão das relações de consumo a outras esferas da vida humana. Logo, o espaço urbano, como produto das relações sociais (espaço do conflito e da multiplicidade), estaria se transformando para estes novos padrões temporais do sujeito contemporâneo. Recentemente, é possível observar um aumento na criação e aplicação de formas espaciais urbanas representativas, mais instantâneas e pontuais, onde as relações subjetivas se realizam a partir de contratos com prazos de validade pré-definidos. Intervenções urbanas temporárias estão se tornando parte integrante do cotidiano das cidades, advindo tanto dos campos da arte, design, arquitetura e urbanismo (performances, happenings, ações do urbanismo tático), com características mais insurgentes e políticas, quanto do marketing urbano (live e streetmarketing), com características mais neutralizadoras e rentistas. Ambas, apesar de opostas em suas intenções de ação, questionam e se articulam com as temporalidades aceleradas e efêmeras do contemporâneo, reforçando, inclusive, sua percepção. A partir da hipótese de que estas intervenções estariam passando por processos de absorção (captação, adaptação e legitimação) sobre sua forma, discurso e estratégia de ação, e tornando-se um território de disputa entre as forças hegemônicas (Estado e capital) e setores da sociedade civil - no qual o "tempo urbano" estaria sendo utilizado como objeto de negociação -, este trabalho busca melhor compreender o contexto sociocultural e político das intervenções temporárias advindas tanto do urbanismo tático, quanto do live e streetmarketing, analisando suas evoluções históricas mais recentes, suas aproximações e digressões, e seus impactos sobre o espaço das cidades. (AU)