Busca avançada
Ano de início
Entree

Rússia e a geopolítica da energia na Ásia Central

Processo: 17/12726-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de agosto de 2017
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Ciência Política - Política Internacional
Pesquisador responsável:Giorgio Romano Schutte
Beneficiário:Victor Sant Anna Debone
Instituição-sede: Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas (CECS). Universidade Federal do ABC (UFABC). Ministério da Educação (Brasil). Santo André , SP, Brasil
Assunto(s):Geração de energia elétrica   Energia elétrica   Oleodutos   Gasodutos   Exportação   China   Rússia   Ásia Central   Geopolítica

Resumo

A segurança energética é elemento primordial para garantir bom funcionamento econômico. Na Ásia, diversos países fazem de seus recursos energéticos a principal fonte de renda de exportações, incluindo a Rússia e países do Oriente Médio. A China, por outro lado, vem apresentando crescente dependência das importações de petróleo, as quais, em 2015, corresponderam a 64% do abastecimento à demanda interna, enquanto que a produção de petróleo do país tende a ter um acréscimo mínimo nas próximas duas décadas, segundo projeção da IEA. Desse modo, a diversificação de fontes tornou-se base da política para investimentos da China nos setores de energia estrangeiros. Há também o objetivo em reduzir a dependência do carvão através da ampliação do gás natural na composição de sua matriz energética, que correspondeu a apenas 6% do total em 2015. Com este intuito, faz-se necessário consolidar a rede de gasodutos no país, com destaque para o corredor West-to-East, cuja extensão promete conectar-se a um sistema internacional que iria além da fronteira oeste do país. Em âmbito regional, o investimento externo direto (IED) em países do entorno tem a função primordial de ampliar o acesso a novos mercados e/ou facilitar o acesso a insumos de produção. Assim, no mercado de energia, enquanto a Rússia visa ampliar exportações de petróleo e gás natural para os grandes centros industriais da China, esta percebe a Rússia (e países como o Cazaquistão e Turcomenistão) como importantes fontes de hidrocarbonetos. A proposta da China para a cooperação regional na Ásia está ancorada no projeto nomeado Nova Rota da Seda, através da qual é defendida a instalação de robustos sistemas internacionais de gasodutos e oleodutos e eficientes vias férreas para o fluxo de insumos e bens, os quais atravessariam toda a Eurásia rumo a uma ambiciosa conexão Pequim-Berlim. Para os líderes chineses, é propício que a inauguração do grandioso projeto seja o ano de 2049, quando será celebrado o centenário da Revolução Chinesa. Se o projeto como um todo ainda é questionado por sua ambição e seus desafios técnicos, o que é certo é o modo como a China vem ampliando sua presença em países a oeste de seu território, liderando projetos de infraestrutura no Cazaquistão, Turcomenistão e Paquistão, por exemplo. Diante da constatação de que a Ásia Central é região-chave para a realização do projeto Nova Rota da Seda, e de que a China já possui estratégias a curto e longo prazo para a região, a proposta do presente projeto é questionar qual a perspectiva da Rússia - um dos principais players globais no setor de energia e tradicional potência regional - acerca das possibilidades que estão ainda abertas para a integração energética na região central do continente asiático. A Rússia exporta grandes volumes para o conjunto de países que formam a União Europeia, mas a China é a nação que compra a maior parte do petróleo russo exportado (17,2% do total) e demonstra interesse na consolidação de um sistema de dutos sino-russo, representando, assim, oportunidades para que a Rússia aumente suas receitas com exportações de recursos energéticos. Ao mesmo tempo, o Cazaquistão e o Turcomenistão, ricos em petróleo e gás natural, respectivamente, também despontam como destino seguro de investimentos voltados para a ampliação de infraestrutura em dutos que conectariam a China a fontes energéticas. Aqui, cabe destacar que a Ásia Central é historicamente região de influência geopolítica russa e, economicamente, tem sido destino de investimentos da Rússia em infraestrutura, cuja intenção é usufruir também de um sistema moderno e eficiente para transporte de carga e energia. Em contexto de clara intenção da China em estender sua influência no setor energético dos países da Ásia Central, este projeto tem como objetivo compreender a perspectiva da Rússia para o setor de energia, considerando sua segurança energética e a estratégia comercial do país na relação com a China e com os países da Ásia Central. (AU)