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Mulheres e os tribunais atenienses do século IV a.C: discurso, representação e experiência social

Processo: 17/10189-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de agosto de 2017
Vigência (Término): 31 de julho de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História Antiga e Medieval
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:Norberto Luiz Guarinello
Beneficiário:Aline Saes Rodrigues
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Relações de gênero   Atenas   Retórica

Resumo

Utilizando-nos de uma seleção de discursos forenses dos chamados oradores áticos, no contexto dos tribunais atenienses do século IV a.C, nossa pesquisa se dá a partir de duas áreas principais de estudo: a historiografia da cidade antiga, com o emergente estudo da polis em relação a seus habitantes, observando a questão do ponto de vista dos cidadãos e não cidadãos (homens e mulheres estrangeiros, mulheres atenienses, escravos); e o estudo das relações entre homens e mulheres enquanto categorias socialmente determinadas, a historiografia de gênero. Destacam-se, portanto, as relações entre homens e mulheres, entre cidade e habitantes, assim como as ideologias que os cercam e constroem, evitando uma "segregação histórica" da mulher e uma visão simplista da polis ateniense. No quesito do estudo da polis ateniense e da situação dos Outros - escravos, estrangeiros, mulheres e crianças - dentro do contexto da democracia, observaremos novas formas teóricas de análise do discurso retórico e de estudo e formulação de modelos de cidade e sentidos para a polis grega e suas leis. Também a construção das relações sociais através do discurso ideológico presente em tais documentos, e como isso podia se refletir na experiência social em relação às mulheres de Atenas. Procura-se, contrariando características da polis como o "universo espiritual" de Vernant (1972) e o "modo político de ser" de Meier (1995), trazer à tona um modelo de cidade antiga em que trabalho e política, casa e polis não estejam tão claramente separados. Partindo-se de um olhar sobre o cotidiano da cidade antiga - não em sua noção de vida comum ou doméstica, mas como práticas sociais no âmbito da cidade habitada - pretende-se uma busca, para além dos controles ideológicos, por uma história dos não cidadãos, mais especificamente das mulheres. Busca-se ampliar mesmo a noção da participação feminina para além do espaço do tribunal, ou melhor, aquém: considerar o uso da palavra feminina na argumentação do orador, independente se essa palavra foi proferida no contexto do julgamento ou não. Utilizando os conceito de "credibilidade retórica" e "verossimilhança", incluiremos tanto os juramentos quanto às referências à fala das mulheres pelos oradores. Observar como a palavra feminina aparece e como é utilizada e recebida dentro do contexto da corte, mesmo que não tenha sido feita dentro desse contexto; nao são diretamente vozes femininas, mas estão mais próximas da prática social do que as representações dos filósofos.Os documentos centrais de nossa pesquisa serão os discursos Demóstenes 27-30, 41, 57 e [D.] 59, Isaeus 3, 8 e 11, Antiphon I e o Lísias 1. Todos os discursos trazem elementos fundamentais ao estudo da idealização presente na retórica das Cortes atenienses e serão analisados a partir das disposições das partes do discurso: proêmio, narrativa, prova e conclusão. Todavia, trechos de outros discursos de oradores poderão ser utilizados para reforçar ou refutar passagens das fontes principais. A ausência de mulheres - principalmente as consideradas respeitáveis - nas Cortes, não exclui suas vozes e suas representações em variados papéis, como afirma Gagarin (1998). Teremos como elemento norteador a hipótese de que as ideologias acerca das mulheres são, primeiramente, criadas e reiteradas por discursos masculinos, ou seja, pelos cidadãos, e, além disso, em um contexto de uma polis democrática que não era feita apenas de politai. Assim, dicotomia democracia formal/real contempla o cotidiano ateniense da mesma forma que a dicotomia discurso/experiência dentro dos discursos de oradores áticos do século IV a.C. É a partir de tais hipóteses que pretendemos uma análise das mulheres no contexto da cidade e da polis Atenas no século IV a.C., de sua democracia e para além dela, através dos discursos retóricos de oradores áticos. (AU)

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