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Entre "ós", "ais" e "jaguanhenhéns": voz e linguagem em Padre Antônio Vieira e Guimarães Rosa a partir de Nuno Ramos

Processo: 17/02288-2
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de agosto de 2017
Vigência (Término): 30 de setembro de 2020
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Literatura Brasileira
Pesquisador responsável:Roberto Zular
Beneficiário:João Guilherme Dayrell de Magalhães Santos
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Voz   Natureza   Cultura (sociologia)   Linguagem

Resumo

Esta pesquisa toma por objeto a articulação voz e linguagem na obra Ó (2008), de Nuno Ramos, atentando à correlação desta bipartição à polaridade cultura e natureza, conforme consta na Política, de Aristóteles. Infere-se que Ramos elabora uma descida da linguagem à voz, procedimento que pode ser entendido como a inversão do esquema traçado por Padre Antônio Vieira no sermão "Nossa senhora do ó" (1640), no qual a voz é submetida à linguagem, o corpo ao espirito. Doravante, elegeremos o conto "Meu tio o Iauaretê", de João Guimarães Rosa, como um possível precursor da expressão "ó" por fazer o ruído animal atravessar a comunicação, embora nossa conclusão seja a de que Nuno Ramos propõe uma decida de mão única do espírito à animalidade, do lógos à phoné, o que nos permitiria vincular sua humanista teoria da separação entre cultura e natureza àquela proposta pelo filósofo Giorgio Agamben; enquanto que em Rosa haveria um procedimento perspectivista, como o teorizado pelo antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, segundo o qual a natureza seria capaz também de possuir linguagem, saber. (AU)