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O mercado de grãos de Florença (1320-1335)

Processo: 17/13122-8
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de outubro de 2017
Vigência (Término): 27 de março de 2020
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História Antiga e Medieval
Pesquisador responsável:Marcelo Cândido da Silva
Beneficiário:Felipe Mendes Erra
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):18/19704-1 - O Mercado de Grãos de Florença (1320-1335), BE.EP.MS
Assunto(s):História econômica   História medieval   Urbanização   Mercados   Preço de mercadorias   Itália

Resumo

O intenso processo de urbanização, na região norte da Península Itálica, durante a Baixa Idade Média, resultou na formação de mercados de cereais fundamentais para o abastecimento das maiores cidades. No caso da República de Florença, em que a população ultrapassou a marca de 80.000 habitantes, é possível encontrar uma rica documentação sobre o mercado anonário citadino. Se destaca Il Libro del Biadaiolo, de autoria de Domenico Lenzi, mercador de cereais de Florença. O texto descreve o cotidiano desse mercado entre 1320 e 1335, registrando a oscilação dos preços (mensal, semanal ou diária), os diversos tipos de produtos comercializados (cereais e legumes), a supervisão dos oficiais da República, e a ação e reação dos compradores a diversas situações. O ponto de partida da análise documental será o debate historiográfico envolvendo dois distintos modelos interpretativos da economia da Baixa Idade Média: o modelo malthusiano e o modelo da comercialização. O primeiro, propondo a conjunção entre um excessivo crescimento populacional e uma parca capacidade de melhorias tecnológicas, defende a teoria da "crise do século XIV" - conjuntura caracterizada pela incapacidade das sociedades do período de responderem às próprias necessidades. Em contrapartida, o modelo da comercialização procura descrever um crescimento populacional associado a um leque de transformações sócio-econômicas, entre as quais se destacam: a expansão de mercados, a difusão dos usos monetários, o aperfeiçoamento das técnicas agrícolas, a melhoria nas formas de transporte, e transformações institucionais benéficas ao comércio. Diante desse cenário, o conceito de "crise do século XIV" é substituído pelo conceito de "a conjuntura de 1300". Nosso objetivo será compreender a participação dos atores envolvidos no funcionamento cotidiano do mercado. Para isso, analisaremos a fonte a partir de três aspectos: os produtos alimentares comercializados; a oscilação dos preços; e a descrição dos atores sociais envolvidos nos processos de compra e venda. Centrar a investigação sobre esses últimos nos permitirá abordar os produtos comercializados e a dinâmica dos preços não como elementos abstratos, mas como elementos resultantes das relações sociais - e, portanto, investigar até que ponto a institucionalização do mercado funcionava como elemento de organização da sociedade florentina desse período.