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Educação: entre amor-mundi e philia: escolha curricular, desenvolvimento pessoal e cuidado do mundo

Processo: 17/05206-7
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 01 de abril de 2018
Vigência (Término): 30 de junho de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Educação - Fundamentos da Educação
Pesquisador responsável:José Sergio Fonseca de Carvalho
Beneficiário:José Sergio Fonseca de Carvalho
Anfitrião: Etienne Tassin
Instituição-sede: Faculdade de Educação (FE). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : Université Paris Diderot - Paris 7, França  
Assunto(s):Filosofia da educação   Currículos e programas   Ação educativa-cultural   Jacques Rancière

Resumo

O presente projeto de pesquisa visa analisar criticamente as respostas que as Diretrizes Curriculares Nacionais deram a um desafio comum a professores e legisladores, a teóricos da educação e gestores públicos: o de viver em um tempo marcado pela ausência de parâmetros seguros e estáveis no que concerne a princípios e critérios de escolha de programas de estudo e matrizes curriculares que devem orientar a ação educativa. A partir de um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt e Jacques Rancière serão analisados dois aspectos centrais do discurso das Diretrizes. O primeiro deles diz respeito ao tipo de atitude que nossa sociedade - marcada pelo presentismo como regime de temporalidade - estabelece com os diferentes legados de realizações simbólicas que recebemos do passado e nos quais pretendemos iniciar nossos jovens, refletindo sobre as consequências de uma suposta centralidade dos jovens no estabelecimento de critérios de escolha curricular. O segundo se volta para a noção, recorrente nos discursos pedagógicos contemporâneos, de que a escola deve organizar seu currículo e suas práticas de forma a contribuir significativamente para a "superação das desigualdades de natureza sociocultural e socioeconômica". Pretende-se, a partir dos escritos de Rancière, discutir o pressuposto de que haveria uma convergência entre a lógica escolar e a lógica produtiva, de sorte que poderíamos pensar a primeira ora como reprodutora da ordem social, ora como instrumento para a redução de suas desigualdades. Toma-se, assim, a desigualdade como ponto de partida e a igualdade como um objetivo futuro, o que acaba por alimentar o presente como o espaço-tempo da desigualdade e adiar para o futuro uma igualdade que jamais se realiza. Em oposição a essa concepção, coloca-se o desafio de tomar a experiência escolar como uma oportunidade de verificação e atestação de uma igualdade encarnada no presente. Trata-se, pois, de conceber a ação educativa como a criação de um tempo e um espaço formativo no qual possam emergir práticas que não são meios para se chegar à igualdade, mas formas de afirmá-la no presente. (AU)