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O estrangeiro nas margens do eu: estudos sobre o Moisés e o monoteísmo de Freud

Processo: 17/16113-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2018
Vigência (Término): 30 de setembro de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - Epistemologia
Pesquisador responsável:Vladimir Pinheiro Safatle
Beneficiário:Alessandra Affortunati Martins Parente
Supervisor no Exterior: Stephen Frosh
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : University of London, Inglaterra  
Vinculado à bolsa:15/25323-2 - O estrangeiro nas margens do eu: estudos sobre o Moisés e o monoteísmo de Freud, BP.PD
Assunto(s):República de Weimar   Estrangeiro   Estética (filosofia)

Resumo

A pesquisa atual é a terceira e última etapa de um trabalho de mapear categorias estéticas na obra freudiana. Em estudo anterior, recentemente publicado, tratei de distinguir duas outras categorias estéticas - a sublimação e [das] Unheimliche. Agora o empenho volta-se para a categoria de estrangeiro, tal como apresentada por Freud (1939) em Moisés e o monoteísmo. Trata-se de um estudo que recupera os conceitos no momento histórico que eles tomam forma - à sublimação corresponde um espírito melancólico próprio da Viena fin-de-siècle, cujo sistema político era o absolutismo esclarecido de Francisco José no Império Austro-húngaro. Ao [das] Unheimliche, por sua vez, corresponde o trauma e o pânico provocados pelos terrores da Primeira Guerra Mundial, sendo o uncanny um dos tempos do trauma, presente na própria malha simbólica da cultura. A hipótese da atual pesquisa é a de que ao estrangeiro corresponderia uma eclosão da política no campo psíquico, interligada ao momento de ascensão do nazi-fascismo na Europa. O gesto de escrita de Moisés e o monoteísmo aparece aqui como um modo de resistência política de Freud, e a forma e o conteúdo desse texto são, eles mesmos, um outro modelo de simbolizar a cultura. Pelas razões explicitadas, nota-se a importância de voltar tal estudo à maneira pela qual Freud confeccionou seu texto - a história que dá contorno à obra e a pesquisa minuciosa sobre suas referências bibliográficas naquele momento da escrita. É exatamente tal ponto que exige minha aproximação do material que está na biblioteca e no museu de Freud em Londres. Essa tarefa será bastante trabalhosa e composta de muitas camadas. Como ele conseguiu conceder forma simbólica ao terror nazista, resgatando traços de sua memória judaica e, simultaneamente, mantendo-se crítico em relação a soluções românticas ou nostálgicas que recairiam em visões identitárias relacionadas ao povo judeu e a uma política sionista? Essas questões que têm duas camadas históricas - a história do Pentateuco, recuperada e subvertida por ele, e a da Alemanha de 1933 - são interessantes na medida em que ressoam numa terceira camada histórica - a atualidade que tem se defrontado cada vez mais frequentemente com novas formas de fascismo, não só na Europa, mas em várias partes do mundo.É importante salientar que essas investigações não estão reduzidas à letra freudiana - trata-se de um campo amplo de pesquisa que mescla estudos da cultura, da história e das artes por meio de uma articulação fina entre as obras de Freud e Walter Benjamin. A hipótese é de que a categoria de estrangeiro, tal como apresentada no texto de 1939 sobre Moisés, é aquela que melhor traduz questões da clínica e da sociedade contemporâneas, representadas por nomes como Jacques Lacan e Edward Said. O estudo do estrangeiro está subdividido em três partes mais gerais:1)História2)Fronteira: lugar do estrangeiro3)Linguagem do estrangeiro (AU)