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O Feminino Abjeto na (OB)CENA CONTEMPORÂNEA Processos autorais matricidas em diálogo com Angélica Liddell

Processo: 17/18374-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2018
Vigência (Término): 30 de abril de 2021
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Teatro
Pesquisador responsável:Felisberto Sabino da Costa
Beneficiário:Janaina Fontes Leite
Instituição-sede: Escola de Comunicações e Artes (ECA). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Negatividade   Autobiografias   Feminino

Resumo

RESUMO: Tendo por ponto de partida a pesquisa sobre a autorrepresentação e o uso de material biográfico no teatro, a pesquisa se debruçou sobre a figura da "mãe" e as representações do feminino na obra de Angélica Liddell, um dos principais nomes da cena contemporânea, célebre pelo seu agenciamento entre teatralidade e performatividade, entre arte e vida. Entendemos que a questão da autorrepresentação e das escritas de si se inserem historicamente nas intersecções do teatro com a performance art, e de forma mais ampla, antropologicamente, com as práticas de si, da qual as artes são apenas um exemplo. A partir dos anos 1970, a tônica sobre o performer, a ação, a cena como experiência, fazem surgir uma profusão de obras cujo objeto é o corpo e as biografias dos autores. Dentro dessa perspectiva, abordaremos a figura da mãe, primeiramente na obra de Angélica Liddell, no cruzamento entre uma mãe real e uma mãe arcaica que tentaremos elucidar à luz do conceito de abjeção de Julia Kristeva e de matricídio de Melanie Klein. Nossa hipótese é de que matar a mãe assume a dupla e complexa função: deslocamento das representações do feminino de um lado - como vemos na singular dialética misógina da obra de Liddell - e, engendramento de modos de ressurreição de si através do gesto criador, de outro. Sob essa ótica, o matricídio, em seus vetores de identificação e repulsa, veio a ser o mote dos processos autorais que compõem o corpo principal deste projeto: "Feminino abjeto" 1 e 2 e o "Stabat Mater". Tomando as duas primeiras como espaço laboratorial e a última como um coroamento do percurso no qual a autora desta pesquisa divide a cena com sua mãe verdadeira e um ator pornô, pretendemos, a partir destes trabalhos, desenvolver a ideia de uma ob-cena contemporânea verticalizando a discussão sobre o real já iniciada no mestrado, mas agora migrando de um real etnográfico para um real obsceno.