Busca avançada
Ano de início
Entree

Violências de gênero, violações de estado: um estudo sobre formas de governar territórios e corpos

Processo: 17/17910-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de fevereiro de 2018
Vigência (Término): 31 de janeiro de 2021
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia
Pesquisador responsável:Maria Filomena Gregori
Beneficiário:Juliana de Farias Mello e Lima
Instituição-sede: Núcleo de Estudos de Gênero (PAGU). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Violência de gênero   Violência contra a mulher   Feminino   Relações de gênero   Estudos de gênero   Favelas

Resumo

Este projeto é construído a partir do interesse em refletir sobre intervenções estatais atravessadas por violências de gênero. Parto da hipótese de que incursões em determinados territórios por agentes de Estado armados guardam estreita conexão com "invasões" de corpos femininos ou feminizados pelos mesmos agentes. Na sequência das análises que argumentam que a representação contemporânea do Estado é constituída por e constituinte de relações de gênero, a proposta desta pesquisa é perseguir determinadas imbricações políticas configuradas por duas lógicas historicamente estabelecidas: uma que confere ao Estado a legitimidade do uso da força e outra que estimula/legitima/compõe violências decorrentes de "dessimetrias de poder relativas a gênero", nos termos propostos por Debert e Gregori (2008). Serão trazidas para o centro da discussão diferentes situações de violência institucional que atingem diretamente corpos femininos ou feminizados de pessoas que habitam territórios de periferias urbanas em contextos de operações, incursões ou ocupações protagonizadas por braços armados do Estado. Nesta pesquisa, quem nomeia o que é violência e o que não é são mulheres cisgênero e transexuais moradoras de periferias de São Paulo e do Rio de Janeiro: assim o foco da análise é direcionado, através do olhar delas, para as tecnologias governamentais que se atualizam através de atos de violência cotidianos. Partindo do princípio de que os mecanismos de ordenação política inerentes aos Estados-Nação estão conectados a marcações de poder necessariamente articuladas a questões de gênero, busca-se compreender como que, através da presença do braço armado do estado junto a determinados corpos e territórios, vem sendo atualizado o contrato social - que, como bem enfatiza Das (2008), é necessariamente um "contrato sexual".