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As Reivindicações da Injustiça: Pobreza e Opressão

Processo: 17/21346-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de março de 2018
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2021
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - Ética
Pesquisador responsável:Ricardo Ribeiro Terra
Beneficiário:Lucas Cardoso Petroni
Instituição-sede: Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). São Paulo , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):19/11988-3 - Considerando Pessoas como Subordinadas: Desigualdade e Subordinação Social, BE.EP.PD
Assunto(s):Pobreza   Filosofia política   Distribuicão

Resumo

A pesquisa tem como objetivo geral contribuir para o debate sobre as bases normativas da justiça igualitária. Em sua fase atual, a ser desenvolvida neste projeto, ela almeja responder a seguinte pergunta: o que há de errado com a pobreza de um ponto de vista normativo? A minha hipótese central de trabalho é a de que, em um sistema econômico de propriedade privada, a privação material severa constitui uma forma específica de opressão e que essa opressão pode ser caracterizada nos termos de uma moralidade construtivista. A pesquisa é estruturada em duas etapas principais. Primeiro, tomo posição em dois debates recentes na filosofia política contemporânea: (i) a divisão contemporânea nas teorias da justiça entre visões distributivas e relacionais acerca do valor da igualdade, e (ii) o debate sobre o modo adequado de conceituar a pobreza do ponto de vista igualitário. Procurarei mostrar que a falta de controle pessoal sobre recursos econômicos em contextos de propriedade privada caracteriza um caso de coerção estrutural arbitrária. A teoria da moralidade de segunda pessoa, desenvolvida por Stephen Darwall, será particularmente importante, na medida em que é capaz de fundamentar argumentos normativos em bases intersubjetivas. O principal argumento a ser defendido é o de que abordagens construtivistas da moralidade nos permitem distinguir duas dimensões diferentes, e irredutíveis entre si, da injustiça econômica: a reivindicação normativa que a pobreza coloca enquanto um problema ético, de um lado, e a reivindicação que as pessoas em situação de pobreza fazem para nós, enquanto pessoas iguais em respeito, de outro.