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Tempo e mudança Nas Américas ibéricas: vocábulos e conceitos no discurso de reformistas ilustrados portugueses e espanhóis (c. 1750- c. 1807)

Processo: 17/16541-1
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de abril de 2018
Vigência (Término): 31 de março de 2020
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:João Paulo Garrido Pimenta
Beneficiário:Mariana de Oliveira Ferraz Paulino
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):América Espanhola   América Portuguesa

Resumo

A pesquisa consiste em um estudo a respeito de noções, concepções, representações e conceitos de tempo expressos nas linguagens políticas de reformistas ilustrados portugueses e espanhóis, sobretudo em escritos produzidos por homens vinculados ou integrados ao aparato estatal e que transitavam por espaços de sociabilidade tais como as Academias e Sociedades de letrados, e que tratam de temas relativos às Américas ibéricas entre c.1750 e c.1807. De acordo com os pressupostos estabelecidos para a investigação, tem-se que o fenômeno do tempo seja premissa fulcral para a compreensão dos vocábulos e conceitos empreendidos pelas personagens do reformismo ilustrado português e espanhol porque a natureza dessas políticas, que condicionavam seus formuladores e gestores à concepção de um futuro mais próspero para as monarquias, engendrava ideias sistematizadas acerca do passado, do presente e do porvir. Isso, porque as coroas ibéricas paulatinamente interpretaram que ocupavam posições periféricas em relação aos padrões de competição econômica em um contexto global, ante a aparição de sintomas relacionados à aceleração do tempo histórico e ao questionamento dos espaços de experiência e dos horizontes de expectativa vigentes naquelas circunstâncias. Tais sintomas pareciam ameaçar a viabilidade dos impérios e se manifestavam, especialmente, em linguagens políticas e na performance dos estadistas ilustrados portugueses e espanhóis no que diz respeito ao modo com que estes almejavam encontrar, no legado histórico de séculos pretéritos, inspirações de conduta que pudessem assegurar o resgate e a manutenção de uma ordem que parecia revelar sua falência.Se "a crise invoca a pergunta ao futuro histórico", de acordo com os pressupostos de Reinhart Koselleck, tem-se que apreendidas nas mais diversas instâncias, de variadas formas e em maiores ou menores graus, as mudanças inerentes a noções, concepções, representações e conceitos de tempo constituíram um dos mais eloquentes indícios de que a natureza da política imperial reformista portuguesa e espanhola instigava a formulação de projetos que visassem à garantia de um amanhã que pudesse assegurar a prosperidade aos impérios diante de uma bancarrota temida, por vezes até tida como iminente. E se as Américas ibéricas ocupavam posições centrais nesse torvelinho metamórfico, é importante que se aborde o aspecto temporal discursivo do reformismo no que diz respeito especialmente à circunstância colonial. (AU)