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Ruídos da metrópole fragmentada: performances punk e ressentimentos em São Paulo (1978-1988)

Processo: 17/18962-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de maio de 2018
Vigência (Término): 30 de abril de 2021
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História Moderna e Contemporânea
Pesquisador responsável:Josianne Francia Cerasoli
Beneficiário:João Augusto Neves Pires
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):História urbana   Música   Punks   Metrópoles   São Paulo (SP)

Resumo

O aprofundamento do cenário caótico, contaminado por violência urbana, péssimas condições de moradia e baixo acesso a serviços públicos, na região metropolitana de São Paulo nos anos finais da década de 1970 e no decorrer do decênio seguinte, provocou, dentre outras sensibilidades, o medo, a raiva e a revolta em uma parcela da juventude pobre. Inquietos com essas pulsões e incentivados pela cultura punk emergente na época, estes sujeitos deambulavam e musicavam os rincões daquela urbe. Assim, as narrativas sobre essa metrópole, produzidas pelos agentes envolvidos na 'cena musical punk' consiste no objeto de estudos deste projeto de pesquisa. Quero com isso captar as emoções presentes nas produções musicais desses sujeitos e, a partir dessas sensibilidades, problematizar como tais afetos expressavam uma cartografia específica desse conurbado. As performances musicais circunscritas ao universo punk mostram que uma parcela dos jovens oriundos das classes populares - alguns deles membros das bandas "Cólera", "Ratos de Porão", "Inocentes", "Garotos Podres", "Mercenárias", dentre outras, que serão estudadas nessa pesquisa - se apresentavam céticos frente as expectativas da sociedade brasileira, pois, como é latente em suas composições, eles estavam mergulhados no desconforto de viver as mazelas daquela metrópole. Para compreender as problemáticas que envolvem esses sentimentos me guiarei pelas músicas registradas em coletâneas punks e em LP's de 5 grupos musicais da época. Não perderei de vista, no entanto, outros rastros dessa prática cultural como: fanzines, filmagens e imagens de shows, videodocumentários, artigos de jornais e revistas, livros e outras fontes que remontam essa manifestação. Pretende-se, portanto, estudar, transitando por essas performances musicais, os (res)sentimentos na metrópole e a maneira pela qual essas emoções contribuem na tecitura de uma narrativa - tingida por raiva e revolta - sobre a região metropolitana de São Paulo. (AU)