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Lacan e a fenomenologia: entre ruptura e retomada

Processo: 18/05582-1
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de julho de 2018
Vigência (Término): 30 de junho de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia
Pesquisador responsável:Vladimir Pinheiro Safatle
Beneficiário:Paula Cristina Galhardo Cepil
Supervisor no Exterior: Christian Gerard Hoffmann
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa: Université Paris Diderot - Paris 7, França  
Vinculado à bolsa:16/06590-2 - O olho e o olhar: fenomenologia e psicanálise nas obras de Merleau-Ponty e de Jacques Lacan, BP.PD
Assunto(s):Sujeito   Fenomenologia (filosofia)

Resumo

A fenomenologia constitui uma referência central para Lacan na primeira metade dos anos 1950, quando, no início de seu Seminário, ele busca delimitar o campo da psicanálise à partir da distinção entre o simbólico e o imaginário. Assim, nos Seminários I e II, a fenomenologia é criticada por Lacan pois ela permaneceria prisioneira das relações imaginárias e não seria capaz de dar um passo fundamental na direção da dimensão que é própria à psicanálise, a dimensão do simbólico. Apesar dessa ruptura com o discurso fenomenológico, no Seminário XI (1964), Lacan se refere novamente à fenomenologia. Entretanto, em 1964, a fenomenologia não é mais objeto de críticas; ao contrário, ela é apresentada por Lacan como tendo convergências importantes com o que psicanálise tem a dizer sobre o campo da pulsão e do desejo. Nosso projeto busca interrogar o estatuto dessa retomada do discurso fenomenológico por Lacan no Seminário XI, levando-se em conta a ruptura com a fenomenologia efetuada no início dos anos 1950. Nossa hipótese é que se trata de uma reviravolta crucial no ensino de Lacan que gira em torno da noção de objeto a. Nós buscaremos mostrar como a retomada do discurso fenomenológico em 1964 não somente é compatível com a ruptura efetuada nos primeiros seminários, mas se inscreve na evolução do pensamento de Lacan: são as elaborações sobre a noção de objeto a que conduzirão Lacan a reavaliar o lugar da fenomenologia no campo da psicanálise e a reconsiderar a dimensão do imaginário, doravante atravessada pela pulsão.