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Clínica do trabalho (corpo e gênero): o estado da arte na França e no Brasil: um olhar crítico sobre teoria e práxis a partir de uma revisão da literatura e de um retorno à fonte

Processo: 17/19177-9
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 17 de abril de 2018
Vigência (Término): 03 de março de 2019
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Saúde Coletiva - Saúde Pública
Pesquisador responsável:Laura Camara Lima
Beneficiário:Laura Camara Lima
Anfitrião: Christophe Dejours
Instituição-sede: Instituto de Saúde e Sociedade (ISS). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Baixada Santista. Santos , SP, Brasil
Local de pesquisa : Université Paris Descartes - Paris 5, França  
Assunto(s):Psicodinâmica   Saúde mental   Transtornos mentais   Comportamento social   Trabalho

Resumo

Na contramão da promessa progressista que se inicia no pós-guerra, com os gloriosos anos modernos, e que se acentua nos anos 1980-90, com a revolução da informação, a expansão das comunicações, a globalização do mercados, as flexibilização dos horários de trabalho e as reorganizações produtivas, inaugura-se uma nova era de desafios e ameaças para a saúde dos trabalhadores, que vem degenerando as relações entre pares e entre subordinados e hierarquias, denegrindo os ambientes de trabalho e acentuando o sofrimentos dos trabalhadores de forma aguda. No Brasil, os Transtornos mentais e Comportamentais relacionados ao Trabalho (TMCRT), têm demonstrado um crescimento constante e têm afastado do trabalho cada vez mais trabalhadores. Apesar dessas evidências, não existem muitos modelos teórico-práticos que se proponham a explicar e a operar a relação entre o sofrimento mental e o trabalho. A Psicodinâmica do trabalho (PDT) ou Clínica do trabalho oferece instrumentos conceituais e metodológicos necessários à investigação sobre o sofrimento no trabalho e a transformação da organização do trabalho. Entretanto, o número de publicações no Brasil, que descrevem os aspectos técnicos e teóricos do processo de trabalho em clínica do trabalho é pequeno, e os detalhes sobre as condutas e as estratégias terapêuticas são escassos. Esse é então o sentido do presente projeto: a apropriação e o agenciamento de conceitos e metodologias que instrumentalizem ações em saúde mental relacionada ao trabalho que sejam factíveis e transformadoras, viabilizando a conjunção de esforços das inteligências individuais de maneira a compor e operar a inteligência coletiva, visando o exercício da atividade deôntica, da sublimação e da emancipação. O objetivo é determinar o que podemos modificar na maneira de planejar e de conduzir as ações em clínica do trabalho que vimos realizando, para que consigamos ativar e ampliar sua potência política. A pesquisa será supervisionada por Christophe Dejours, criador da psicodinâmica e da clínica do trabalho. O retorno à fonte é necessário, uma vez que a clínica do trabalho é antes de mais nada, um ofício prático, cuja aprendizagem da clínica se faz no corpo a corpo com a matéria humana. Em uma primeira etapa, a pesquisadora fará uma revisão sistemática nas bases de dados especializadas na França, comparando-a com as publicações nacionais. Em uma segunda etapa, a pesquisadora irá estudar em profundidade os conceitos, o manejo durante a prática, quando eles estão desenvolvendo uma ação em psicodinâmica ou em clínica do trabalho. Pretende-se estudar, em profundidade, o que os precursores franceses têm realizado, em contraste com as equipes de pesquisadores brasileiros que estão ativos no país, e também avaliar e rever criticamente o que tenho conseguido produzir no meu contexto de trabalho atualmente, enquanto pesquisadora, coordenadora de um laboratório de pesquisa, orientadora de iniciação científica e mestrado, supervisora de estágio e professora, para conseguir produzir uma resposta eficaz para os problemas relativos à saúde mental relacionada ao trabalho, a partir da mobilização das forças de resistência coletiva que possam ser catalisadas por ações em psicodinâmica do trabalho. O projeto prevê a realização de uma pequena pesquisa de campo (provavelmente observacional), sobre as consultas e informações oferecidas na rede da associação Sofrimento no trabalho, afim de investigar quais são os serviços e tratamentos por eles disponibilizados, de maneira a ter elementos para a mobilização de uma rede semelhante no Brasil. (AU)