Busca avançada
Ano de início
Entree

Bicho de sete cabeças: a criminalização da maconha no Rio de Janeiro durante a década de 1930

Processo: 17/21874-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de junho de 2018
Vigência (Término): 31 de março de 2021
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História do Brasil
Pesquisador responsável:Claudio Henrique de Moraes Batalha
Beneficiário:Thamires Regina Sarti Ribeiro Moreira
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:13/21979-5 - Entre a escravidão e o fardo da liberdade: os trabalhadores e as formas de exploração do trabalho em perspectiva histórica, AP.TEM
Assunto(s):História social   História da cultura   Maconha   Criminalização   Negros   Rio de Janeiro (RJ)   Século XX

Resumo

Na década de 1930 a maconha foi inserida na lista de entorpecentes a serem controlados pelo governo brasileiro. Planta disseminada pelo país, a Cannabis era conhecida por dezenas de nomes diferentes e utilizada em contextos sociais como rituais de candomblé, "clubes de diambistas", na fabricação de produtos farmacêuticos e no tratamento de pacientes nos hospícios. A medida legislativa separava usos legítimos dos ilegítimos, garantindo monopólio da medicina científica sobre suas aplicações e perseguição às demais. Vindo ao encontro de uma série de outras formulações racistas do período, os intelectuais da classe dominante atribuíam seus usos ilegítimos à população negra do país, apontando quem viria pagar os custos da nova política. Esta pesquisa pretende verificar as implicações dessas formulações na repressão que se instituiu durante a década de 1930, tendo como recorte a observação dos desdobramentos dessa criminalização na cidade do Rio de Janeiro, apontada pela historiografia como sede da primeira determinação legal contra o uso da maconha e também como palco de intensa perseguição à população negra no período pós-abolição. O foco de análise será a experiência das pessoas que foram vítimas da nova política repressiva assim que ela se instituiu, quem foram as pessoas criminalizadas naquele primeiro momento, como essa perseguição se imbricou com as demais políticas de controle da população negra vigentes, de que maneira as pessoas perseguidas reagiram a essas intervenções e quais os desdobramentos dessas campanhas nos usos e na atribuição de significados por parte de seus consumidores e pela população de maneira geral. Acredita-se que o cruzamento entre a bibliografia sobre a cultura negra no período pós-abolição, a literatura proibicionista e demais fontes do período possibilitem entrar no mérito dos significados coletivamente atribuídos à diamba pelas classes populares e que os autores eugenistas fizeram questão de ignorar, reduzindo os gestos observados a indícios clínicos de atraso. (AU)