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D. Quixote no Brasil: um século de adaptações da obra de Cervantes para crianças e jovens

Processo: 18/04533-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de junho de 2018
Vigência (Término): 24 de setembro de 2021
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Teoria e Análise Lingüística
Pesquisador responsável:Luzmara Curcino Ferreira
Beneficiário:Jessica de Oliveira
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):19/10521-4 - Dom Quixote e suas adaptações para o público infantil e juvenil no Brasil e Galícia: uma análise contrastiva de representações de seus leitores da atualidade, BE.EP.DR
Assunto(s):Análise do discurso   História cultural   Adaptação literária   Literatura infantojuvenil   Romancista   Espanhóis

Resumo

Em nossa pesquisa de mestrado nos dedicamos à análise de representações da leitura e de leitores infantis e juvenis em um corpus de treze adaptações do clássico universal D. Quixote de La Mancha. Nosso interesse por esse objeto se deu em função, entre outras razões, de sua significativa e recente expansão no mercado editorial brasileiro e de sua também recente, mas sistemática e progressiva, adoção em seus vários formatos e versões, em instituições de formação de leitores, como escolas e bibliotecas. Das especificidades linguístico-discursivas desse conjunto de adaptações, focalizamos em nossa análise as variações no modo de apresentação do personagem D. Quixote, em especial no que diz respeito à exploração de sua loucura como um traço capaz de produzir identificação junto aos leitores infantis e jovens. Também nos dedicamos à análise das variações no modo de apresentação e funcionamento da autoria nessas obras adaptadas, onde figuram os nomes de Cervantes, de adaptadores (alguns conhecidos como autores) e de ilustradores. Tendo em vista a quantidade considerável de adaptações que compuseram esse corpus, e o fato de que ela é frequentemente acrescida com regulares lançamentos de novas versões, formatos e modos de circulação, assim como a quantidade considerável de variações e de inovações nas estratégias de escrita empregadas nessas adaptações, nos propomos a dar continuidade à investigação já iniciada no mestrado, verticalizando nossa análise das representações de leitura e de leitores inscritas nessas adaptações infantis e juvenis do clássico Dom Quixote de la Mancha, publicadas por diferentes editoras brasileiras, da década de 1910 até os dias atuais. Com isso, esperamos contribuir com os estudos sobre a leitura no Brasil, sobre os leitores infantis e juvenis e sobre o processo de adaptação buscando depreender as prováveis transformações, ao longo do tempo, e de uma cultura a outra, quanto ao modo de conceber essa obra clássica, de adaptá-la tendo em vista as competências variadas dos públicos visados. Para isso, na pesquisa que ora propomos nos dedicaremos ao levantamento e análise de outros aspectos desse processo de adaptação, tais como as formas de seleção e recorte do texto original quanto à unidade dos capítulos, sua extensão e eleição para figurar na adaptação. Também nos dedicaremos às escolhas de ordem lexical, como a simplificação do léxico, sua atualização, sua diminuição em número, sua transformação com vistas à produção de efeitos tais como o de comicidade e dessacralização, e de eventual subversão de sentidos do original, exercitando uma menor ou maior autonomia quanto ao original. Visamos ainda à análise dos efeitos de homologia que se estabelecem em algumas dessas adaptações, em especial nas mais atuais, entre as imagens e o verbal. Além dessa análise comparativa das adaptações publicadas nacionalmente, pretendemos, no quadro de uma BEPE, estabelecer um corpus mínimo de obras adaptadas para o público infantil e juvenil espanhol, de modo a melhor constatar eventuais especificidades das formas de adaptação para o público brasileiro, derivadas das representações que compartilhamos sobre os leitores infantis e juvenis. Em nossa análise, procederemos por comparação, cotejando tanto a fonte primária que adotamos, a tradução bilíngue em dois volumes de Sérgio Molina (2007, 2008), com as suas respectivas adaptações, quanto comparando uma adaptação às outras. Para isso, nos apoiaremos em princípios da análise do discurso francesa, no que concerne a suas reflexões e conceitos sobre as coerções linguístico-históricas que atuam sobre a produção e sobre a apropriação dos textos, da História Cultural, no que diz respeito às análises das permanências e variações das representações e das práticas de leitura ao longo da história, e de estudos mais específicos que se dedicaram às adaptações de obras clássicas. (AU)