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A cidade e as migrações transnacionais: uma cartografia sociopolítica dos migrantes em São Paulo no Século XXI

Processo: 18/05234-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de julho de 2018
Situação:Interrompido
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Sociologia Urbana
Pesquisador responsável:Vera da Silva Telles
Beneficiário:Tiago Rangel Côrtes
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:13/26116-5 - A gestão do conflito na produção da cidade contemporânea: a experiência paulista, AP.TEM
Bolsa(s) vinculada(s):19/13403-2 - Migração transnacional e fazer-cidade: conflitos, contrapoder e processos multiescalares em São Paulo, BE.EP.DR

Resumo

Trata-se de pesquisa sobre migrações transnacionais, tomando como foco e abordagem a cidade e a produção dos espaços urbanos. Assumindo como principal procedimento de pesquisa a reconstrução de trajetórias de vida de diferentes grupos de migrantes transnacionais que chegaram à Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) na última década, pretende-se, em termos gerais, compreender a relação dessas pessoas com o espaço urbano, destacando os campos de sociabilidade e redes de relações construídas na cidade. Em particular, o foco será dirigido às redes socioinstitucionais que gravitam em torno deles. Por esse prisma, interessa averiguar os diferentes dispositivos de controle e gestão dos fluxos migratórios, o que envolve perscrutar o modo como as diferentes categorias e estatutos jurídicos outorgados aos migrantes afetam suas destinações na cidade, suas possibilidades de movimento e de acesso aos recursos da cidade, bem como o campo de fricções, conflitos ou acomodações com organismos estatais ou paraestatais implicados nos assuntos migratórios. Trabalhamos com a hipótese de que a presença desses migrantes na cidade, no caso, São Paulo (capital e região metropolitana), afeta dinâmicas urbanas sob modalidades que interessa averiguar, ao mesmo tempo em que essa presença termina por construir um campo político multiforme, como campo de ação, de intervenção, de conflitos e também de acomodações, alianças e convergências (pontuais, ou não) com outros habitantes da cidade. Seguindo esses vários registros, pretende-se desenhar uma cartografia social e política desses novos migrantes em São Paulo. A pesquisa visa combinar as perspectivas teóricas de Sandro Mezzadra com a de Nina Glick Schiller: com Mezzadra, aprendemos que a gestão da mobilidade ocorre como processos de assujeitamento dos migrantes, sem deixar de atentar ao fato de que onde há controle, ocorrem práticas de contornamento e resistências, ou seja, múltiplas práticas de subjetivação dos migrantes, desdobrando-se na construção de espaços sociais transnacionais, onde ocorrem interações diversas entre migrantes de origens variadas com os habitantes das localidades. De Schiller, destacamos a importância da escala da cidade para pensar os modos de incorporação dos migrantes, contornando uma abordagem que recaia em nacionalismo metodológico. Fazer uma cartografia sociopolítica dos migrantes em São Paulo é buscar reconstruir a rede de instituições, os campos de intervenção de naturezas distintas e variadas, que se mobilizam na cidade em torno da questão migratória. Significa também lidar com o jogo situado de escalas inscrito nos modos de circulação e instalação desses migrantes; jogo situado de escalas também inscrito no campo das fricções, conflitos, demandas e reivindicações que conformam a face política desses espaços e lugares transnacionais que passaram a conformar a trama urbana da cidade.