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Formulação lipossomal contendo mangiferina: avaliação da estabilidade físico-química, localização do bioativo e influência na membrana biológica

Processo: 18/06220-6
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de junho de 2018
Vigência (Término): 30 de junho de 2020
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Farmácia
Pesquisador responsável:Rose Mary Zumstein Georgetto Naal
Beneficiário:Amanda Bordonal Sostena
Instituição-sede: Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP). Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto , SP, Brasil
Assunto(s):Lipossomos   Anisotropia   Fluorescência   Nanotecnologia   Membrana

Resumo

As plantas medicinais desempenham um papel importante na prevenção e no tratamento de diversas doenças. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de três quartos da população mundial dependem de medicamentos naturais, principalmente ervas, para suprir suas necessidades de saúde. Nos países em desenvolvimento, os medicamentos preparados por curandeiros tradicionais, a partir de plantas da flora local, são os únicos medicamentos disponíveis para a maioria da população e, neste contexto, chamam a atenção de pesquisadores que buscam o descobrimento de novos fármacos, e novas formulações, relevantes para a cura de doenças. Como exemplo de planta medicinal pode-se citar a Mangifera Indica (popular mangueira) cujo extrato aquoso, obtido de cascas do caule, resultou no extrato Vimang® que tem sido utilizado para o tratamento de diversas doenças e patologias. O estudo fitoquímico deste extrato levou ao isolamento de vários compostos fenólicos tais como mangiferina, ácido gálico, (+)-catequina, (-)-epicatequina, entre outros. No entanto, a mangiferina (Mgf) é o composto majoritário (~46%) e responsável por propriedades farmacológicas importantes tais como anticâncer, antifúngica, antidiabetes e antialérgica. Apesar do potencial farmacológico da Mgf, parte de sua eficiência terapêutica é desperdiçada pela baixa biodisponibilidade e susceptibilidade à fotodegradação, ou oxidação química, em solução, além da rápida eliminação do organismo, o que restringe seu uso como fitomedicamento. Estes problemas nos levaram ao estudo de uma formulação lipossomal, físico-quimicamente estável, com boa eficiência de encapsulação e viável para administração por via oral no tratamento de diversas doenças. Embora seja conhecida a maior eficácia dos polifenóis quando incorporados nos lipossomos, sabe-se, também, que o rendimento de encapsulação é baixo, e um desafio a ser vencido. Estudos prévios realizados no grupo, usando uma formulação baseada no lipídeo dimiristoilfosfatidilcolina (DMPC), levaram à uma baixa eficiência de encapsulação da Mgf (ao redor de 28%) o que nos levou a explorar uma nova formulação baseada no lipídeo fosfatidilcolina (PC) para a qual espera-se maior incorporação do bioativo em função da maior flexibilidade da PC comparada ao DMPC. Essa formulação deverá conter, ainda, os lipídeos fosfatidiletanolamina (PE) e colesterol (COL) na proporção PC:PE:COL (52:28:20) cuja composição lipídica mimetiza a membrana biológica e propicia o estudo, por meio de técnicas fotofísicas, da localização do bioativo na membrana biológica, bem como sua influência na fluidez da membrana, que são informações importantes para entender o mecanismo de ação e o potencial farmacológico do bioativo. A estabilidade da formulação lipossomal será monitorada ao longo do tempo através das propriedades físico-químicas como tamanho, polidispersividade e potencial Zeta. Tais parâmetros serão reavaliados após liofilização na presença de crioprotetores (sacarose e trealose), e ressuspensão lipossomal em meio aquoso. Ressalta-se, finalmente, que, apesar de sua ampla propriedade farmacológica, a Mgf é, ainda, pouco explorada em estudos concernentes à incorporação em sistemas nanocarreadores, tal como os lipossomos, o que reforça a relevância deste estudo para aplicações biológicas futuras e desenvolvimento de novas fórmulas farmacêuticas que possam ser usadas não somente por via oral, mas, também, por outras vias como ocular, dérmica e respiratória.