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Cartografia de poéticas esquecidas: coleção, tempo e poesia em Luiz Bacellar e Astrid Cabral

Processo: 18/07075-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de agosto de 2018
Vigência (Término): 31 de julho de 2021
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Literatura Comparada
Pesquisador responsável:Francisco Foot Hardman
Beneficiário:Fabio Fadul de Moura
Instituição-sede: Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Mapeamento geográfico   Amazônia   Tempo   Poesia do Brasil   Crítica literária

Resumo

A pesquisa que se apresenta versará sobre poetas deixados à margem da tradição da crítica literária brasileira. Trata-se de autores nascidos no Amazonas, Luiz Bacellar e Astrid Cabral. Tendo como ponto de partida, respectivamente, Frauta de barro (1963) e Infância em franjas (2014), põe-se em evidência dois traços comuns a eles: a representação da Amazônia alheia à perspectiva do exótico e o legado poético-cultural arquivado. Nesses livros, Manaus é apresentada como espaço em ruínas, o qual, com a guinada da memória, é iluminado pelos sujeitos poéticos quando tudo está sendo arruinado pela lógica do progresso; por meio da poesia, os poetas registram esses eventos, fundando suas histórias a contrapelo. Ao lado dessa atitude, no plano da fatura textual, os poetas dialogam com a tradição brasileira e estrangeira, revigorando um legado, uma memória literária. Alinhando seus atos em relação ao passado, observa-se que os poetas não exercem um trabalho de reafirmação do cânone histórico e literário, mas relem-nos para tomá-los como fato contemporâneo, arquivo que sobrevive pela escrita e rastro do que foi na realidade primeira, mas que se distanciou ao ser lido e depositado em outro livro ou poema. À luz das noções de arquivo, o trabalho poético torna-se resultado de uma deliberação, construção com tempos que resistem ao apagamento em outra era, pois apresenta-se como rastro da resistência da memória eclipsada e afirma-se como uma coleção que sobrevive pela poesia.