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O prefeito Antônio Prado e a população negra da cidade de São Paulo

Processo: 18/03092-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de agosto de 2018
Vigência (Término): 31 de julho de 2019
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Ana Cláudia Castilho Barone
Beneficiário:Débora Fernandes Do Nascimento
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Política urbana   Planejamento territorial urbano   Espaço urbano   Processo político   Prefeitos   Relações étnicas e raciais   Segregação racial   Negros   São Paulo (SP)

Resumo

Como colocou Rui Barbosa abolição da escravidão no Brasil foi de uma ironia atroz: se por um lado, libertava o negro de uma relação de exploração, por outro, o colocava à margem da sociedade, sem a proteção de qualquer instituição. Esse desfecho torna claro que, para a sociedade brasileira, o destino do negro importou até o momento em que a economia do país dependeu de sua mão de obra. Assim que ela foi substituída pelo imigrante branco, o manumitido tornou-se símbolo de vergonha, uma população a ser apagada do cenário nacional. Nada foi garantido ao negro liberto: colocado em uma nova relação de trabalho para a qual ele não estava preparado, não obteve auxilio ou orientação por parte das instituições que compõem o Estado. Dessa forma, a relação de submissão se manteve, se não pela exploração direta do trabalho, por sua sujeição a um quadro de obstrução a sua ascensão social. Assim, a nova ordem econômica e social lançou o negro em uma situação de risco para a sua própria sobrevivência. Durante o pré e o pós abolição, São Paulo cresceu, tanto demográfica quanto economicamente, mas o seu desenvolvimento não atingiu as camadas mais pobres. Figura preponderante ao longo desse processo, o Conselheiro Antônio Prado é um dos atores sociais que melhor representam as contradições desse período. O Senador, que defendeu a abolição apenas por interesses políticos, tornou-se também prefeito da cidade de São Paulo, durante o longo período entre 1899 e 1911. Em sua gestão como prefeito percebe-se um processo de segregação mascarado por meio de medidas que visavam a "europeização" da cidade, calcadas na expulsão do negro e na destruição de seus espaços de moradia, encontro, cultura e religião. A presente pesquisa visa estudar como a política urbana adotada no mandato de Antônio Prado influenciou a segregação do negro na cidade, revelando a contradição das posições assumidas pelo Conselheiro ao longo do processo de abolição no Brasil. O modo como foi tratada a questão negra e a inserção dos manumitidos numa economia de classes e na dinâmica espacial da cidade resultou em uma formação sócio territorial que pode ser observada até hoje em São Paulo. Em sua maioria, os negros ainda se concentram nas camadas mais baixas da sociedade, residem nas periferias da cidade ou em áreas precárias e seus espaços de convivência localizam-se longe dos centros e dos bairros mais nobres. Dessa forma, o aspecto racial presente nos procedimentos adotados pelo primeiro prefeito da cidade assume grande relevância, à medida que essa característica permaneceu e tronou-se recorrente no urbanismo que se praticou na cidade desde então. (AU)