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Bruxaria em Aberdeen no ano de 1597: um estudo analítico de suas causas, sistema de crenças, referenciais e personagens

Processo: 18/14505-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Mestrado
Vigência (Início): 01 de outubro de 2018
Vigência (Término): 31 de março de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História Moderna e Contemporânea
Pesquisador responsável:Rui Luis Rodrigues
Beneficiário:Marcela Delia
Supervisor no Exterior: Julian Goodare
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Local de pesquisa : University of Edinburgh, Escócia  
Vinculado à bolsa:17/26441-4 - Bruxaria em Aberdeen no ano de 1597: um estudo analítico de suas causas, sistema de crenças, fatores externos e personagens, BP.MS
Assunto(s):Demonologia   Feitiçaria   Escócia

Resumo

Minha pesquisa principal no Brasil trabalha com dois tipos de fontes primárias - o tratado demonológico do Rei James VI, Demonology, e os processos de bruxaria de Aberdeen; ambos de 1597. Enquanto o primeiro auxilia a compreensão da esfera linguístico-cultural; os últimos lançam luz sobre o universo das experiências cotidianas e das jurisdições, os quais resumiremos sob o nome de "referenciais sociais". Essa análise dupla é necessária, uma vez que a História não é composta apenas por mentalidades ou crenças, ao mesmo tempo que os referenciais e a administração legal não podem ser compreendidas sem o código linguístico-cultural. Isto explica a importância por trás dos dois documentos utilizados neste trabalho.Um deles, todavia, é mais complexo do que parece. Os processos de bruxaria de 1597 foram produzidos por dois tipos de autoridades locais: os anciãos da Kirk - a Igreja escocesa em uma paróquia - e os magistrados da Corte do Burgo de Aberdeen. Isto acontece por que havia mais de uma jurisdição para as perseguições de bruxaria na Escócia do século XVI. Portanto, quando os residentes do burgo ou paróquia desejavam prestar queixas contra alguém eles deveriam se dirigir ao Kirk. Os anciãos deste tomavam notas da situação e selecionavam os casos mais perigosos e preocupantes para, depois, passá-los aos magistrados da Corte do Burgo. Estes, por sua vez, deveriam (i) pedir permissão à Coroa para realizar um julgamento em Aberdeen, a qual era concedida pelo sinal de uma Comissão do Judiciário e (ii) reescrever aqueles primeiros casos para torná-los mais adequados para serem utilizados em Corte. Neste processo, portanto, o testemunho da vítima era, de fato, remodelado não apenas para ser mais convincente mas mais apropriado para julgamento. Este passo era necessário por questões judiciais, mas impõe um obstáculo para o historiador, uma vez que a documentação do Kirk tem uma abordagem totalmente diferente em comparação com a da Corte do Burgo. Enquanto a primeira é mais focada na dinâmica entre vizinhos, uma vez que eles só estavam mantendo o registro de algumas reclamações; a segunda é mais fundida de aspectos demonológicos - preocupada com questões como o pacto demoníaco, sabá, assassinatos, feitiços malignos e maldições para argumentar contra a pessoa acusada. Nós, portanto, estamos diante de dois tipos de documentação (as do Kirk, religiosas e as da Corte do Burgo, secular) as quais têm diferenças que podem nos separar dos aspectos sociais e referenciais dos residentes de Aberdeen. A documentação secular foi transcrita por um clube antiquário do século XIX, o Spalding, e publicado no volume I da coleção do Spalding Club Miscellany (SCM), mas alguns dos processos foram deixados para trás por alguma razão. Ou seja, esta fonte não nos fornece nem a totalidade da documentação da Corte do Burgo e nem nenhum tipo de registro do presbitério, o Kirk; os quais podem conter informações fundamentais para a conclusão desta pesquisa. Ambas estas fontes encontram-se atualmente no Aberdeen City Archives (ACA), o que significa que um intercâmbio na Escócia seria extremamente rico não apenas por me permitir acessar essa documentação que foi deixada para trás mas também por me dar a oportunidade de ser orientada por um dos principais pesquisadores dos estudos da primeira modernidade e da bruxaria: o professor Julian Goodare, da School of History, Classics and Archaeology, da Universidade de Edimburgo. Ele não só é responsável pelo Survey of Scottish Witchcraft, database número 1 sobre o fenômeno na Escócia, mas também pela publicação de mais de 10 trabalhos, entre livros, capítulos e artigos sobre bruxaria; isto sem contar seus outros estudos sobre política e jurisdições na primeira modernidade.

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