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Minimalismo como meridiano entre a arte moderna e contemporânea

Processo: 18/06469-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado Direto
Vigência (Início): 01 de outubro de 2018
Vigência (Término): 30 de setembro de 2020
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Fundamentos e Crítica das Artes
Pesquisador responsável:Rodrigo Cristiano Queiroz
Beneficiário:Fábio Brombal Visnadi
Instituição-sede: Museu de Arte Contemporânea (MAC). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Crítica de arte   Minimalismo   Arte moderna   Arte contemporânea

Resumo

O projeto "Minimalismo como o meridiano entre a arte moderna e contemporânea" parte do pressuposto - lançado à luz da interpretação de críticos e teóricos-chaves do modernismo e do pós-moderno, como Arthur Danto, Clement Greenberg, Rosalind Krauss, Hal Foster, entre outros - de que a arte mínima é um capítulo final de uma Teleologia moderna da arte que busca a sua autoconsciência reduzindo-se aos seus valores estruturais axiomáticos; e também um capítulo inicial para os movimentos subsequentes da contemporaneidade, que visam a estabelecer uma crítica mais ferrenha do objeto - o conceitualismo de Lawrence Weiner, Joseph Kosuth e afins -, do sujeito - as performances de Bruce Nauman ou Vito Acconci e do espaço - a Land Art de Robert Smithson e Michael Heizer ou as intervenções de Richard Serra. Pretende-se, portanto, investigar de um lado a paternidade moderna do minimalismo - que se reportaria à escultura de Brancusi, ao construtivismo, ao concretismo, entre outros - tanto no que diz respeito às suas afinidades quanto no que concerne às suas desavenças ou indiferenças com tais hipóteses de trabalho, enxergando-no como uma etapa final nesta história específica da arte - sem esquecer, contudo, que existem diversas histórias paralelas ao modernismo como o dadá, o surrealismo e a pop; e, por outro viés, examinar a crítica de natureza epistemológica e não mais ontológica do minimalismo, que não procura mais definir o que é pintura e escultura e que não se preocupa mais com a qualidade e com uma noção de intuição estética abstrata oriunda do modernismo. Mais do que isso, tais trabalhos teriam uma relação direta com o texto e com a necessidade de uma internalização da teoria artística para a compreensão de seus signos, que levariam a máxima de "menos é mais" aos limites, representando através de estruturas primárias toda uma hipótese complexa de pensamento artístico; e também uma relação produzida colateralmente com o espectador, convidando-o indiretamente a uma participação na experiência artística através de uma perambulação e movimentação pelo espaço público em que a obra se insere, o que é paradoxal, justamente pelo movimento buscar eliminar qualquer vestígio antropomórfico através de uma arte serial, austera e imponente. O que se procura compreender, portanto, é como Judd, Morris, Andre, Flavin, Smith, LeWitt e seus pares, ao levarem uma interpretação das teorias de Greenberg ao pé da letra - procurando perseguir alguns de seus postulados a desdobramentos lógicos que o crítico nova-iorquino não tinha sequer considerado - acabaram por promover uma inversão da lógica modernista; em suma, tentar investigar como ao tentar ser o mais moderno e radical possível dentro de uma tradição, e não correndo ao largo dela, tal tendência artística acabou por ser, de maneira colateral, justamente o berço para novas premissas de trabalho, opostas ao formalismo, à idealização e à sublimação modernista. Em termos mais rudes, investigar como, ao trabalhar somente com formas geométircas básicas, sem nenhum vestígio de humanidade, reforçada por objetos industrializados e seriais, toda essa produção acabou justamente por reforçar uma postura fenomenológica do espectador e exigir a sua participação; compreender como, ao reduzir a sua obra ao significado mais literal possível, as esculturas de tais artistas terminaram por reforçar justamente a importância do contexto e da teoria como chave para a compreensão artística; e entender como, ao se reportar a um imaginário a priori do humano, o minimalismo exigiu justamente uma experiência a posteriori baseada na situação. (AU)