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Dinâmica e cronologia de sistemas deposicionais eólicos na Amazônia: implicações para evolução quaternária dos ecossistemas de vegetação aberta

Processo: 18/12472-8
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de outubro de 2018
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2020
Área do conhecimento:Ciências Exatas e da Terra - Geociências - Geologia
Pesquisador responsável:André Oliveira Sawakuchi
Beneficiário:Fernanda Costa Gonçalves Rodrigues
Instituição-sede: Instituto de Geociências (IGC). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Sedimentologia   Ecossistemas   Vegetação   Alteração ambiental   Último máximo glacial   Quaternário   Amazônia

Resumo

A Amazônia é reconhecida mundialmente por sua elevada biodiversidade e pelo seu sistema fluvial de dimensão continental. Mudanças no meio físico, tais como a expansão da drenagem e variações de precipitação, são tidas como importante fator na diversificação da biota. Diversos estudos têm abordado o papel dos rios na diversficação da biota amazônica. No entanto, paleodunas eólicas formadas pelo retrabalhamento de sedimentos fluviais são feições singulares de algumas regiões da Amazônia e sua ocorrência em meio à floresta tropical indica fases mais secas, com redução da densidade da cobertura vegetal. Isto inclui paleodunas desenvolvidas durante o Último Máximo Glacial (UMG) (23-19 ka), as quais associam-se a diversos enclaves de ecossistemas de vegetação aberta, incluindo ecossistemas de campinas, savanas e cerrados. Estes ecossistemas também desempenham importante papel na diversificação da biota e abrigam espécies endêmicas ou especialistas. Diversas áreas destes ecossistemas desenvolvem-se em substratos arenosos com morfologia dunar ou fluvial preservada. Neste contexto, estudar a dinâmica sedimentar e os fatores controladores de formação e estabilização de sistemas eólicos na Amazônia é fundamental para compreender o desenvolvimento dos ecossistemas de vegetação aberta. Apesar da relevância como registro de mudanças do clima e da vegetação, os sistemas eólicos amazônicos têm sido pouco estudados se comparados aos sistemas fluviais. Assim, este projeto propõe caracterizar a distribuição espacial, idade e os processos formadores dos depósitos dunares da Amazônia. Espera-se compreender a relação entre mudanças climáticas, sedimentação eólica e a expansão, estabilização e retração dos ecossistemas de vegetação aberta da Amazônia. Para alcançar tal objetivo, elementos morfológicos eólicos serão reconhecidos e mapeados por sensoriamento remoto para comparação com a distribuição das áreas de vegetação aberta. Depósitos eólicos específicos já identificados por sensoriamento remoto foram selecionados para estudos estratigráficos, sedimentológicos (composição e textura) e geocronológicos. A cronologia de formação e estabilização dos depósitos eólicos arenosos será determinada por luminescência opticamente estimulada. A medida de indicadores de ativação e estabilização dunar baseados em propriedades texturais (granulometria) e composicionais (magnetismo ambiental e razões elementares) dos sedimentos permitirá reconstruir variações climáticas em áreas específicas para comparação com mudanças climáticas globais ao longo do Quaternário tardio caracterizadas por outros registros paleoclimáticos, com destaque para variações do sistema de Monção da América do Sul. Estudos filogeográficos conduzidos pelo grupo de pesquisa da co-orientadora deste projeto permitirão traçar a história demográfica da biota de ecossistemas de vegetação aberta para comparação com as mudanças abióticas registradas nos depósitos eólicos. Assim, espera-se contribuir para a compreensão da relação entre mudanças da paisagem amazônica e a diversificação da biota. (AU)