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A comunicação química como determinante da estrutura da rede de interações plantas-abelhas Euglossini polinizadoras: da auto à macroecologia

Processo: 17/22642-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de outubro de 2018
Situação:Interrompido
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Ecologia
Pesquisador responsável:Isabel Alves dos Santos
Beneficiário:Carlos Eduardo Pereira Nunes
Instituição-sede: Instituto de Biociências (IB). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Polinização   Abelhas   Ecologia de interações   Ecologia química

Resumo

A polinização é um processo essencial à reprodução da maioria das plantas com flores. Em cerca de 90% das angiospermas tropicais, a polinização é realizada por animais, em geral insetos, os quais se orientam por sinais químicos e visuais para encontrar as flores e acessar os recursos florais enquanto polinizam. Assim, interações de polinização constituem mutualismos em grande parte mediados pelos compostos voláteis florais (VFs). Da perspectiva da ecologia de comunidades, tais interações mutualísticas se organizam como redes complexas envolvendo as plantas e seus polinizadores. Diversos processos podem estruturar essas interações e estudos recentes mostram a importância da correspondência entre atributos da planta e dos polinizadores, principalmente em sistemas mais especializados, porém a importância relativa de VFs permanece pouco explorada. Além disso, a compreensão da estrutura de redes de interação planta-polinizador e os fatores bióticos e abióticos atuando sobre essa estrutura são questões fundamentais e amplamente debatidas na ecologia. Neste projeto, realizarei uma extensa compilação de dados das interações entre plantas (em sua maioria orquídeas) e abelhas polinizadoras Euglossini, incluindo dados inéditos e de literatura, como objetivo principal de testar se a composição química dos voláteis florais seria determinante na estruturação dessa rede de interações (uma "meta-rede"). Além disso, esta hipótese será testada também em escala local para as plantas e as abelhas de determinadas regiões biogeográficas (subdivisões da meta-rede), permitindo que se faça uma avaliação mais fina e integrada dos determinantes das interações em múltiplas escalas. Ainda, tenho por objetivo avançar sobre o conhecimento básico a respeito de como a composição dos VFs determina as interações planta-polinizador. Os dados de composição dos VFs serão utilizados em modelos como preditores da organização das redes de interações compiladas, a fim de determinar sua importância relativa como estruturadores das redes. Em paralelo, para avançar sobre a função comportamental de alguns VFs com o papel pouco conhecido, realizarei bioensaios no campo testando a atratividade de compostos puros e de misturas aos polinizadores. Esse projeto é inovador no sentido em que se utilizará de dados multivariados da composição dos VFs para analisar e predizer atributos de redes de interações mutualísticas planta-polinizador tropicais. Assim, este estudo pioneiro representará um avanço significativo e abrangente no conhecimento sobre como a comunicação planta-inseto mediada por VFs atua na estruturação das interações planta-polinizador em ecossistemas tropicais.