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O Mercado de Grãos de Florença (1320-1335)

Processo: 18/19704-1
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Mestrado
Vigência (Início): 04 de dezembro de 2018
Vigência (Término): 30 de maio de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História Antiga e Medieval
Pesquisador responsável:Marcelo Cândido da Silva
Beneficiário:Felipe Mendes Erra
Supervisor no Exterior: Jean-Louis Gaulin
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : Université Lumière Lyon 2, França  
Vinculado à bolsa:17/13122-8 - O mercado de grãos de Florença (1320-1335), BP.MS
Assunto(s):História econômica

Resumo

Esse projeto integra uma pesquisa realizada a partir do Programa de Pós-Graduação em História Econômica, na Universidade São Paulo, para obtenção do título de mestre. Sob a supervisão de Jean-Louis Gaulin, professor da Université Lumière Lyon 2, e diretor do laboratório CIHAM, (Histoire, Archéologie, Littératures des mondes chrétiens et musulmans médiévaux), meu objetivo é investigar o mercado de grãos de Florença, procurando debater algumas características do comércio realizado durante o século XIV, na Europa, no período anterior à Peste Negra.A expansão demográfica ocorrida durante o século XIII, no continente europeu, resultou na formação de grandes conglomerados urbanos. Florença, cidade localizada na Toscana, região cento-setentrional da Península Itálica, é um caso exemplar. No começo do século XIII, a população residente no centro urbano não ultrapassava 15.000 habitantes; no século seguinte, o número de residentes ultrapassava a casa dos 100.000. Concomitante com o crescimento da cidade, ocorreu a expansão da circulação monetária e a multiplicação de atividades profissionais - ou seja, o acirramento da divisão social do trabalho. Do ponto de vista do abastecimento alimentar urbano, estamos diante de um duplo processo: a formação de uma larga demanda e da constituição de uma sociedade com suficiente liquidez para consolidar as estruturas de mercado. O comércio se tornou um meio importante para a população obter sua alimentação. Nossa pesquisa analisa o mercado de cereais. As fontes primárias existentes oferecem uma boa descrição da oscilação dos preços realizados no principal mercado público da cidade destinado ao comércio de trigo: a Piazza di Orsanmichele. As trocas ocorriam diariamente, envolvendo espécies monetárias em geral de pequeno valor. Podemos visualizar a formação de uma oferta consistente, capaz de satisfazer a necessidade de uma quantidade relativamente maciça de consumidores.Do ponto de vista teórico, a pesquisa se insere no debate dos três principais modelos explicativos utilizados para descrever a Economia da Baixa Idade Média. Os dois primeiros modelos, formulados durante as décadas de 1960-80, se concentram no estudo da agricultura e da produtividade da cultura de cereais. O chamado "modelo maltusiano" defende a existência de um frágil balanço entre a expansão populacional e a capacidade agrícola, criando a tese da "Crise do Século XIV". O "modelo marxista" atenta para as relações de poder e de expropriação existente entre os senhores e os camponeses, defendendo a perspectiva do enfraquecimento do potencial agrícola devido às relações sociais negativas. O terceiro modelo, formulado no início da década de 1990, ganhou o nome de "modelo da comercialização"; seus defensores argumentam que o século XIII passou por uma profunda transformação, resultante da inserção das relações mercantis na vida cotidiana das populações europeias. Nesse sentido, nossa pesquisa desenvolve como questão central a formação de uma estrutura de oferta e demanda, analisando suas características, no interior do mercado de cereais da Florença medieval.