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O conflito do trabalho doméstico no lar: um olhar sobre as casas burguesas em São Paulo na década de 1950

Processo: 18/12757-2
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de novembro de 2018
Vigência (Término): 31 de outubro de 2019
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Joana Mello de Carvalho e Silva
Beneficiário:Camila Medeiros de Oliveira Santos
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):História da arquitetura   Burguesia   Doutrina   Habitação   Trabalho doméstico   Mulheres   Século XIX   Análise de conteúdo   São Paulo (SP)

Resumo

A formação da burguesia como classe na passagem do século XIX para o XX é um processo que suscitou profundas mudanças sejam elas político, econômicas ou sociais. Nesse período, se consolidaram as formas modernas de sociabilidade, pautadas pela diferenciação do universo público e privado. Especialmente no campo do urbano, a cidade e a casa foram expressão potente desse processo, manifestando-se nelas os valores burgueses forjados nesse momento. Sobre a casa foram instituídas as ideias da domesticidade, no qual a mulher tinha um papel fundamental, não só como reprodutora da unidade familiar e gerenciadora do lar, mas também, sob a perspectiva da construção de uma nova narrativa, como principal difusora dos novos valores burgueses e de modernidade. A feminilidade foi associada ao universo íntimo familiar, distanciando-se cada vez mais do mundo do trabalho, e ao mesmo tempo, naturalizando o trabalho doméstico como trabalho feminino. Assim, se colocava a contradição inerente ao lar da presença e negação do trabalho. A casa será o espaço do conflito entre um mundo privado no qual o público se faz intrínseco. O trabalho doméstico, então, sofrerá uma série de investidas no sentido de ser invisibilizado, tanto materiais quanto imateriais, arquitetônicas e simbólicas, e, para adequar-se a esse processo o corpo feminino será disciplinado. A casa se apresenta, portanto, como reflexo e instrumento da modernidade na medida em que se modifica em função das transformações colocadas pela conformação da burguesia, mas também é meio preponderante de propagação desse ideário dominante, cenário no qual atuam os novos parâmetros de consumo, a especialização e a racionalização e as políticas higienistas. A pesquisa busca as origens dessas transformações na passagem do século XIX ao XX para observá-las com mais potência e solidez em meados do século XIX. Assim, a pesquisa se situa no universo da cidade de São Paulo especificamente na década de 1950 e pretende abordar as questões referentes ao papel social da mulher no lar, buscando na arquitetura indícios dessas transformações. Para tal, será feita uma leitura crítica da bibliografia existente e uma análise das revistas Acrópole e O Cruzeiro, procurando observar tanto as plantas arquitetônicas das casas do período quanto as propagandas e fotos dessas casas, com um olhar direcionado também à decoração. Logo, a partir desse entendimento, se buscará compreender quais são as manifestações do conflito da presença intrínseca do trabalho e do apagamento desse trabalho no lar e de que maneira se conformam mecanismos para resolvê-lo, nos quais a construção das fronteiras materiais e imateriais são elementos chave. Além disso, há um empenho no sentido de realizar diferenciações de classe das mulheres atuantes na casa burguesa, assim não só a dona de casa se faz presente, como também a mulher trabalhadora, na figura da empregada doméstica. Nessa perspectiva, procura-se compreender quais são as diferenças nos mecanismos de disciplinamento do corpo entre essas mulheres e de que forma uma mesma arquitetura contribui para tal, através das fronteiras físicas e simbólicas que atuam segundo a invisibilização do trabalho. Portanto, a presente pesquisa pretende levantar perguntas que até agora parecem não terem sido feitas pela bibliografia existente. Já existe considerável reflexão sobre o tema da domesticidade e da racionalização do lar, no entanto, a associação entre corpo feminino, trabalho doméstico e arquitetura foi pouco explorada, dando relevância aos questionamentos aqui feitos.