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Fenomenologia do lugar: liames entre o espaço construído, o homem e o ambiente nas obras de Angelo Bucci e Eduardo Souto de Moura

Processo: 18/16973-1
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de dezembro de 2018
Vigência (Término): 30 de novembro de 2020
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Simone Helena Tanoue Vizioli
Beneficiário:Gabriel Braulio Botasso
Instituição-sede: Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos (IAU). Universidade de São Paulo (USP). São Carlos , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):19/20388-0 - Poéticas do habitar português: relações entre corpo, sítio e arquitetura em quatro construções de Eduardo Souto de Moura, BE.EP.MS
Assunto(s):Lugar   Fenomenologia (filosofia)   Projeto de arquitetura   Arquitetos

Resumo

Sem estar a reboque de uma estratégia exclusiva, a edificação pode representar mais do que mero abrigo. A Arquitetura pode ser capaz de dar significado ao ambiente, pode fazer um sítio transformar-se em lugar, revelar o que é latente - a terra é um agente acolhedor, assim como disposto por Heidegger. Utilizando-se da fenomenologia como uma chave de leitura, o objetivo central da presente pesquisa consiste em investigar as relações entre o espaço construído, o Homem e o ambiente, discutindo a apropriação do sítio, a construção da paisagem e do lugar nas obras dos arquitetos Angelo Bucci (Escola Paulista) e Eduardo Souto de Moura (Escola do Porto), tendo como hipótese de pesquisa que ambos os arquitetos possuem abordagens fenomenológicas no que concerne aos seus processos de projeto. Através do método histórico-comparativo e de visitas in loco, pretende-se investigar em que medida a fenomenologia do lugar comparece nos processos projetivos e nas obras dos arquitetos e quais suas lógicas subjacentes no que diz respeito a alguns aspectos, tais como: contexto e paisagem local; vocação do lugar; fronteiras (físicas e sensoriais); caráter e atmosfera dos espaços, entre outros. Estruturalmente, o projeto se desenha a partir de dois momentos distintos: [1] a construção do estado da arte, o qual se moldará por meio da revisão e análise bibliográfica de materiais e, posteriormente, serão estudadas as [2] abordagens projetuais de Bucci e Moura à luz da fenomenologia do lugar. Serão feitas análises qualitativas sobre as obras selecionadas para estudos de caso, as quais serão entendidas consoante dois níveis de percepção ambiental: um primeiro, na escala do entorno imediato, propiciando o reconhecimento de estruturas gerais de implantação e diálogos com as adjacências; e um segundo, na escala do usuário e de suas percepções espaciais nas obras, investigando como os espaços desenham interior e exterior; como a obra estabelece suas fronteiras e determina o caráter e a atmosfera dos espaços construídos; como o local da construção intensifica, condensa e indica com exatidão a estrutura da natureza e como o Homem a percebe - o corpo é a entidade da percepção, a principal referência espacial humana. Assim, em meio ao pendor ao espetáculo que vem dominando a cena arquitetônica das últimas décadas, este projeto propõe o estudo de dois arquitetos que vão na contramão de uma arquitetura rendida aos negócios, construída em cidades financeirizadas a partir de uma compressão espaço-temporal e que, por estar associada a um ideal de reprodução do capital, acaba por desconsiderar seu contexto.