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Infância e jogo conjunto entre humanidade e natureza em Walter Benjamin

Processo: 18/07491-3
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 21 de janeiro de 2019
Vigência (Término): 20 de julho de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia
Pesquisador responsável:Francisco de Ambrosis Pinheiro Machado
Beneficiário:Francisco de Ambrosis Pinheiro Machado
Anfitrião: Daniel Weidner
Instituição-sede: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Guarulhos. Guarulhos , SP, Brasil
Local de pesquisa : Center for Literary and Cultural Research Berlin, Alemanha  
Assunto(s):Teoria crítica   Filosofia da natureza   Infância   Materialismo

Resumo

Uma noção que permeia vários ensaios de Walter Benjamin é a de uma técnica que se funda na cumplicidade ou no jogo conjunto (Zusammenspiel) entre humanidade e natureza. Ela se opõe à primeira técnica alcançada pela humanidade que, concebida como mera dominação e exploração da natureza pelo homem, reverte em exploração e dominação do próprio homem. Esta concepção de técnica e de relação homem/natureza, tem por assim dizer um caráter utópico e se constitui como um dos pontos centrais do materialismo antropológico que Benjamin desenvolve a partir dos meados dos anos 1920. Momento em que podemos identificar em seu pensamento uma tendência à secularização, pela qual, afasta-se das posições teológico-metafísicas de sua juventude e aproxima-se tanto das vanguardas artísticas (dadaísmo, surrealismo), como do materialismo histórico. Esta noção vai se delimitando, assim, a partir da tensão entre a exploração das diversas formas da fantasia (onírica, infantil, amorosa, poético-artística), dos escândalos, das manifestações de revolta por parte das vanguardas e as críticas sociais e defesa de uma transformação social tal como elaboradas no quadro do materialismo histórico. A posição de Benjamin seria a de que a transformação material da sociedade para uma humanidade mais livre não pode ser compreendida como um mero progresso técnico linear dos meios de produção, o que somente ampliaria a exploração da natureza e do homem, mas como uma transformação que atinge a própria técnica e a racionalidade a ela subjacente. Que atinge, portanto, num nível antropológico e histórico mais profundo, o modo como se consumam as relações entre a humanidade e a natureza. A infância representa um lugar privilegiado no qual essas relações são ludicamente experimentadas e confrontadas a cada nova geração. Essa é uma das razões, eis a hipótese deste trabalho, do grande interesse de Benjamin pela infância. A presente pesquisa se propõe investigar, em um primeiro passo, os diferentes momentos em que as noções de jogo conjunto humanidade-natureza e de segunda técnica emancipada são explicitamente formulados ou subjazem às reflexões de Benjamin, seja em seus ensaios teóricos e de crítica de arte, seja em sua produção literária, traçando um esboço do seu materialismo histórico-antropológico. Em um segundo passo, trata-se investigar, num escopo mais delimitado e com mais profundidade, como estes conceitos permeiam suas reflexões e interesse de Benjamin pela infância, pelas fantasias, brincadeiras e teatro infantis, pela relação da criança com o adulto, bem como pela memória da infância por parte do adulto. (AU)