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Impacto do tratamento da apneia obstrutiva do sono em desfechos cardiovasculares de pacientes com edema agudo dos pulmões cardiogênico: um ensaio clínico randomizado, multicêntrico e controlado (CPAP-CARE study)

Processo: 18/04304-8
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de dezembro de 2018
Vigência (Término): 30 de novembro de 2020
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Clínica Médica
Pesquisador responsável:Luciano Ferreira Drager
Beneficiário:Sofia Fontanello Furlan
Instituição-sede: Instituto do Coração Professor Euryclides de Jesus Zerbini (INCOR). Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Apneia do sono   Pneumologia   Prognóstico   Tratamento   Doenças cardiovasculares

Resumo

O edema agudo dos pulmões (EAP) cardiogênico é uma condição comum em Unidades de Emergências que está associada com altos custos hospitalares, alta morbidade e mortalidade cardiovascular. De fato, estima-se que a mortalidade hospitalar do EAP esteja entre 12 e 20% chegando a 40% no seguimento de longo prazo. A despeito da melhoria do tratamento de potenciais fatores de risco para o EAP (melhora do controle do tratamento da hipertensão, por exemplo) as taxas de reinternação e de eventos cardiovasculares fatais e não fatais continuam muito elevados. Neste contexto, é possível que outros potenciais fatores de risco possam estar contribuindo para este cenário desfavorável do EAP. Um destes potenciais candidatos é a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), uma condição clínica caracterizada por obstruções parciais ou completas das vias aéreas superiores, promovendo redução abrupta da pressão intratorácica, fragmentação do sono e hipoxemia intermitente. Evidências da literatura consistentemente descrevem hiperativação simpática e elevações da pressão arterial associadas com a AOS. Dados preliminares do nosso grupo com pacientes consecutivos com EAP de dois centros cardiológicos mostraram: 1) a AOS é muito comum (60%) e subdiagnosticada; 2) pacientes com AOS tiveram uma frequência maior de EAP de etiologia hipertensiva do que pacientes sem AOS; 3) A AOS foi associada com um aumento nas taxas de novo evento de EAP, mais infarto agudo do miocárdio (IAM), óbito cardiovascular, e aumento nas taxas de reinternação hospitalares no seguimento médio de 12 meses após o EAP. Estes dados, embora não provem uma causalidade entre a AOS e o EAP, dão substrato para a realização de um estudo randomizado que esclareça esta relação e avalie estratégias preventivas para reverter este quadro desfavorável da evolução do EAP. Desta forma, estamos propondo um ensaio clínico randomizado, envolvendo 2 regiões Brasileiras (3 Centros Cardiológicos Universitários) com experiência no manejo dos Distúrbios do Sono. Após o diagnóstico de EAP de etiologia hipertensiva (a etiologia mais comum do EAP) e estabilização clínica, faremos um estudo do sono para avaliar a presença ou não da AOS (definida por um índice de apneia e hipopneia e15 eventos/hora de sono). Os pacientes com AOS serão randomizados para usarem a pressão positiva contínua das vias aéreas superiores (CPAP), tratamento padrão da AOS, ou o tratamento de rotina pós EAP. Além de uma avaliação clínica e laboratorial no período basal, faremos um seguimento em 30 dias, 3 meses, 6 meses e 12 meses da randomização para avaliarmos desfechos cardiovasculares, serão necessários 50 pacientes com AOS por grupo, ou seja, 100 pacientes no total. Alguns sub-estudos estão sendo propostos, incluindo a análise do controle pressórico ao longo do seguimento e a análise de custo-eficácia do tratamento da AOS. Fazemos a hipótese de que o tratamento da AOS reduzirá a taxa de eventos cardiovasculares, as recidivas do EAP e a redução das admissões hospitalares.